Lula criticou a Seleção Brasileira e disse que a Alemanha não é invencível

Em seu primeiro comentário sobre o Mundial, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que está preso há dois meses na sede da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, criticou a atuação da Seleção Brasileira no empate contra a Suíça e disse que a primeira semana do Mundial na Rússia provou que a Alemanha não é invencível.

A coluna de Lula foi enviada à equipe do programa Papo com Trajano, comandado pelo jornalista José Trajano, e lida por um locutor na emissora educativa TVT, sediada em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, e pela Rádio Brasil Atual.

O petista não poupou críticas ao estilo de jogo do adversário da Seleção Brasileira. “(A Suíça) Marcou forte, de forma muito dura, e não deixou a Seleção jogar. Também não deixou o Neymar jogar, fazendo faltas e faltas.”

O ex-presidente também lembrou dos erros de arbitragem que prejudicaram o Brasil – a falta do atacante Zuber em Miranda no lance do gol suíço e o pênalti em Gabriel Jesus -, mas considerou que a Seleção não foi a única equipe que decepcionou na primeira semana de Mundial.

“Duas coisas ficaram provadas na primeira semana do Mundial: a Alemanha não é invencível e, entre os maiores craques, só o Cristiano Ronaldo fez por merecer. O resto é conversa pra mesa de bar”, escreveu Lula.

Em janeiro, o ex-presidente foi condenado a 12 anos e um mês de prisão por lavagem de dinheiro no caso da compra de um triplex no Guarujá e, em abril, foi preso. Mesmo ainda detido, ele pretende se candidatar à Presidência da República . No entanto, poderá ser barrado pela Lei da Ficha Limpa.

Perdão

O pré-candidato do PDT, Ciro Gomes, afirmou que não cogita conceder perdão ao ex-presidente Lula caso seja eleito em outubro. O pedetista indicou que discorda do discurso do PT de que há uma conspiração do Poder Judiciário contra o petista.

Questionado durante a entrevista nesta manhã para a rádio “Jovem Pan” se daria o chamado indulto a Lula, Ciro foi enfático: “Não está nas minhas cogitações”.

O pré-candidato, considerado uma possível alternativa do PT com o ex-presidente Lula barrado pela Lei da Ficha Limpa, se distanciou do discurso do partido diversas vezes durante a entrevista.

Ao esclarecer uma declaração dada em junho de 2016, quando não descartou sequestrar Lula e levá-lo a uma embaixada se sua prisão fosse decretada, Ciro disse que a afirmação fora dada em outro contexto, em que destacava um equívoco cometido pelo PT.

“O PT considera que o Judiciário brasileiro está em uma conspiração orgânica e, nesse caso, o caminho não é recorrer pro Judiciário. É tirar o Lula para uma embaixada”,  disse Ciro, que emendou: “Eu estava censurando a ideia de que você, ao aceitar recorrer, denuncie o Judiciário como praticando um golpe. Aí fica meio esquizofrênico.”

Na ocasião, três meses após a condução coercitiva do ex-presidente, Ciro disse que poderia integrar um grupo de juristas para decidir se a prisão de Lula fosse realizada “fora das regras do estado democrático de direito”.

“Pensei: se a gente formar um grupo de juristas, a gente pode pegar o Lula e entregar numa embaixada. À luz de uma prisão arbitrária, um ato de solidariedade particular pode ir até esse limite. Proteger uma pessoa de uma ilegalidade é um direito”,  disse.

Nesta segunda-feira, no entanto, o pré-candidato do PDT disse que não considera que os direitos de Lula tenham sido eliminados quando foi preso no dia 6 de abril deste ano, após ser condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região a 12 anos e um mês de prisão. Para o presidenciável, todos os ritos processuais foram seguidos antes da decretação da prisão.

“Não acho que (a prisão) foi golpe porque o devido processo legal foi inteiramente perseguido. O que eu acho é a sentença do Moro injusta. O que é diferente, porque você tem todo o direito de achar justa ou injusta embora não seja minha atribuição sentenciá-lo. Agora, se o próprio Lula recorre da sentença é porque ele está aceitando o rito”, disse.

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