Manifestantes jogam fogos de artifício contra o Supremo

Um grupo de manifestantes realizou um protesto na noite de sábado (14) em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF). O grupo lançou fogos de artifício em direção ao prédio da Corte, enquanto alguns dos integrantes xingavam os ministros. Vídeos do ato foram divulgados em redes sociais.

Não há registro de dano ao prédio do Supremo. Mais cedo, a Polícia Militar havia desmontado um acampamento de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro instalado desde maio na Esplanada dos Ministérios. Também no sábado, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, decidiu fechar a Esplanada neste domingo para protestos.

Enquanto os fogos eram estourados, manifestantes chamam os ministros do STF de “bandidos” e diziam que aquilo era um “recado”. Um deles repetiu a frase “acabou, porra”, dita por Bolsonaro para criticar uma operação determinada pelo STF no âmbito inquérito que investiga notícias falsas e ataques contra a Corte. Outra pessoa afirmou que os ministros vão “cair” e que o grupo irá “derrubar” eles. O presidente do STF, Dias Toffoli, foi chamado de “bandido”, assim como o ministro Gilmar Mendes. Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski e Rosa Weber também foram xingados pelos manifestantes.

Um homem, que se apresentou como assessor do deputado federal Otoni de Paula (PSC-RJ), aparece em um dos vídeos, criticando uma pessoa não determinada.

— Sou Cavalieri do Otoni, assessor do deputado federal Otoni de Paula. Você não vai acabar com o nosso Brasil. Viva a democracia. Canalha. Nosso Brasil vai ser livre, eternamente. Em nome de Jesus.

Outra pessoa, que não se identificou, afirmou que, caso os ministros não renunciarem, nenhum deles vai ficar “vivo”, porque receberão o “juízo de Deus”:

— O recado que tem é o seguinte, vem direto do senhor. Ou vocês renunciam ou a mão do senhor vai pesar sobre vocês. Não vai ficar um vivo. É juízo de Deus. Não sou eu, não é povo brasileiro que vai fazer nada, é a mão do senhor sobre vocês.

Forças Armadas

No final da última semana, em nota assinada em conjunto com o vice Hamilton Mourão e o ministro da Defesa, Fernando Azevedo, o presidente Jair Bolsonaro se manifestou sobre a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux sobre o papel das Forças Armadas. No documento, eles afirmam que os militares “não aceitam tentativas de tomada de poder”.

Fux concedeu na sexta-feira (12) uma liminar declarando que as Forças Armadas não exercem poder moderador em eventual conflito entre o Executivo, Legislativo e Judiciário. A decisão foi tomada em uma ação em que o PDT pediu para a Corte esclarecer as atribuições dos militares, de acordo com a Constituição Federal.

A nota de Bolsonaro, Mourão e Azevedo, entre outros tópicos, também dizia que “o Sr. Min. Luiz Fux, do STF, bem reconhece o papel e a história das FFAA sempre ao lado da Democracia e da Liberdade”.

A polêmica sobre o papel das Forças Armadas ganhou notoriedade quando foi divulgado vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, em que o presidente Jair Bolsonaro afirmou que existe um dispositivo que permite aos Poderes pedir intervenção militar para restabelecer a ordem.

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