Mercado financeiro prevê déficit fiscal de R$ 151 bilhões em 2017 e estouro da meta fiscal na economia brasileira

Os economistas do mercado financeiro elevaram para R$ 151,7 bilhões sua previsão para o déficit primário (despesas maiores do que receitas, sem contar juros da dívida pública) em 2017. Com isso, seguem prevendo estouro da meta fiscal fixada pelo governo para o ano que vem.

O valor está no mais recente levantamento feito pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda e divulgada nesta quinta-feira (15) dentro do chamado “Prisma Fiscal”. No mês passado, a mesma pesquisa informava que os analistas estimavam um rombo menor para o ano que vem, de R$ 144,7 bilhões.

A meta fiscal para 2017 é de déficit primário de R$ 139 bilhões. Isso significa que o governo prevê que seus gastos vão superar a arrecadação com impostos neste valor. Essa meta não inclui despesas com pagamento de juros da dívida pública.

A piora da estimativa para o resultado das contas do governo central (União, Previdência Social e Banco Central) acontece em um ambiente de fraco nível de atividade econômica. Nas últimas semanas, tanto o governo quanto o mercado financeiro baixaram suas estimativas para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) do ano que vem.

A lógica é que, com menos atividade, também há uma arrecadação menor de impostos e contribuições federais, o que contribui para uma deterioração no perfil das contas públicas.

Ano de 2016

Para o ano de 2016, o mercado financeiro baixou sua estimativa para o déficit primário de R$ 159,51 bilhões para R$ 156,63 bilhões – abaixo, portanto, da meta de um resultado negativo de até R$ 170,5 bilhões fixada para este ano.

Apesar de a economia estar em forte recessão neste ano, o que tem derrubado a arrecadação, o governo contou, em 2016, com ingresso dos recursos da chamada repatriação de ativos no exterior – que somou R$ 46,8 bilhões. Parte desses valores será repassada dos estados e municípios.

Ajuste fiscal

A estimativa dos analistas de bancos para o rombo fiscal em 2017 tem crescido diante da ausência de medidas de curto prazo para tentar reequilibrar as contas públicas e da autorização do governo para novas despesas, como reajustes para servidores públicos, para o Bolsa Família e para a tabela do Imposto de Renda das Pessoas Físicas em 2017.

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