Ministério Público do RS cumpre mandados de busca e apreensão em investigação de possíveis desvios de entidades ligadas a jogadores de futebol

As investigações, ainda em andamento, indicam que, desde 2015 até os dias atuais, possam ter sido desviados valores superiores a R$ 8 milhões por uma associação criminosa. (Foto: MPRS/Divulgação)

A Promotoria de Justiça Especializada Criminal de Porto Alegre cumpriu, na manhã desta quarta-feira (30) mandados de busca e apreensão na denominada Operação SindiCasta.

A operação investiga movimentações financeiras suspeitas, ocorridas desde 2015, que indicariam aparentes desvios de valores de entidades sindicais ligadas a atletas profissionais, ex-atletas e atletas em formação: o Sindicato dos Atletas Profissionais de Futebol no Município de Porto Alegre, o Sindicato dos Atletas Profissionais no Estado do RS e, possivelmente, a Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol.

Como operavam

Os investigados integravam a direção das entidades, se revezando, há pelo menos cinco anos, em cargos que contemplavam estrategicamente tanto funções administrativas, como presidência e vice-presidência, quanto a direção financeira.

As investigações, ainda em andamento, indicam que, desde 2015 até os dias atuais, possam ter sido desviados valores superiores a R$ 8 milhões por uma associação criminosa instalada no SIAFMPA e no SIAPERGS.

Os investigados realizavam as retiradas sem que fossem percebidos, o que reforçaria a participação de pessoas ligadas à área financeira e/ou à direção dessas entidades. Após os desvios, os investigados, em manobras características do crime de lavagem de capitais, na tentativa de dificultar a localização dos valores apropriados, realizaram depósitos em nome de terceiros, muitos desses parentes ou pessoas próximas.

Segundo o promotor de Justiça da Promotoria Especializada Criminal de Porto Alegre responsável pela investigação, Flávio Duarte, “ao mesmo tempo em que se percebeu o desvio de valores de dentro dessas entidades, os atletas profissionais do Estado, em sua maioria, contraditoriamente, vivem com salários muito baixos e têm passado por situações de penúria em razão da pandemia, que resultou na suspensão dos jogos”.

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