Ministério Público gaúcho denuncia 40 integrantes de uma facção criminosa que tinha mais de R$ 2,5 milhões em contas bancárias, além de imóveis e veículos

O MP (Ministério Público) do Rio Grande do Sul apresentou à Justiça denúncia contra 40 integrantes da facção “Bala na Cara” pelos crimes de organização criminosa, lavagem de capitais e corrupção de menores.

Entre os denunciados está José Dalvani Nunes Rodrigues, o Minhoca, um dos chefes da facção, que encontra-se no Presídio Federal de Campo Grande (MS). Minhoca foi preso pela Polícia Civil em Ciudad del Este, no Paraguai. Na ocasião, ele teve o telefone celular apreendido, produzindo-se com isso grande parte das provas para a denúncia, conforme o MP.

No aparelho, estavam armazenadas fotografias dos integrantes da organização criminosa portando armas de diversos calibres, além de recibos que compravam a prática dos crimes. Em um aplicativo de mensagens também estavam preservadas conversas entre Minhoca e outros integrantes da facção. Na hierarquia da organização, Minhoca tinha todos os outros membros subordinados a ele.

Foram identificados os gerentes das “bocas” de tráfico e executores das tarefas criminosas em patamar logo abaixo e, por fim, os depositantes e aquelas pessoas que emprestavam seus nomes para circulação da riqueza proveniente das infrações, os “laranjas”. Minhoca, mesmo do Paraguai, indicava locais para o tráfico, determinava pagamentos, apontava contas a serem depositados valores e também eram dele que partiam as ordens para a execução de homicídios, vendas de armas de fogo e de drogas. A chamada “Célula do Minhoca”, já que a facção dos Balas na Cara ainda se desdobra em outros grupos, movimentava cerca de R$ 500 mil reais por semana.

Os “Bala na Cara” atuam no tráfico de drogas e comércio ilegal de armas de fogo, além de cometer homicídios. Para lavar o dinheiro, a organização criminosa abriu frentes: depósito, empréstimo e recebimento de valores por meio de conta bancária de terceiros, denominadas de “contas de passagem”, onde houve o bloqueio de R$ 2,6 milhões em dinheiro. A facção também adquiriu dois minimercados, uma loja de roupas, uma lavagem de veículos, três imóveis residenciais (entre eles um sítio), 14 carros de passeio e seis motocicletas, todos registrados em nome de “laranjas”.

Na denúncia, o Ministério Público solicitou o perdimento dos bens e valores apreendidos e que estes sejam revertidos ao Estado do Rio Grande do Sul, mais especificamente à Polícia Civil.

“Temos gerações que tiveram de se privar de andar tranquilamente nas ruas. O MP, dentro daquilo de seu alcance, ciente da complexidade do problema, mediante investigações de lavagem e organização criminosa, vem apostando na descapitalização do criminoso, que o impulsiona à sequência de crimes, tentando melhorar esse quadro. Temos de mostrar ao criminoso que realmente o crime não pode compensar, privando-o da liberdade, mas, especialmente, afastando daquilo que ele sempre perseguiu: o lucro e a vantagem econômica”, disse o promotor de Justiça Marcelo Tubino.

 

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