Ministério vai lançar Detox Brasil, programa que foca no uso consciente de tecnologias

“Sem a referência da família, o jovem acaba em sofrimento”, declarou Damares Alves. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos vai lançar em junho o Detox Brasil, um programa que focará no uso consciente de tecnologias. O objetivo é conscientizar a população sobre a importância de diminuir a frequência de tempo em que se fica no celular e no computador, por exemplo.

“Há um fenômeno, uma triste realidade entre algumas famílias brasileiras, que perdem o tempo que têm para estarem junto aos filhos para ficar de olho na tela do celular. Esse vínculo acaba enfraquecido e, sem a referência da família, o jovem acaba em sofrimento”, disse a ministra Damares Alves.

A pasta afirmou que é a primeira vez que um governo se envolve nesse tipo de causa. Existem programas de uso consciente de aparelhos tecnológicos em países como França e Alemanha, mas desenvolvidos pela sociedade civil.

Castração Química

A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos afirmou na segunda-feira, 13, que a castração química para estupradores não resolve o problema dos abusos praticados contra crianças e adolescentes. O método, no entanto, é defendido pelo presidente Jair Bolsonaro, que, quando era deputado federal, foi autor de um projeto de lei sobre o tema.

“Castração química não resolve. Temos algumas propostas na Câmara e no Senado caminhando, mas não resolve. Por quê? A pessoa que comete a violência contra a criança, a castração química vai tocar em um único órgão, mas ele tem a mão, ele tem o pau, ele tem a madeira, tem a garrafa. Temos crianças que estão sendo abusadas com garrafas no Brasil”, disse a ministra durante entrevista a Olga Bongiovanni, na Rede TV!, retransmitida pela TV Pampa.

A ministra declarou que a castração química poderia ser um caminho, mas que “não é a solução”. Segundo dados do Atlas da Violência 2018, 50,9% das vítimas de estupro no Brasil são crianças de até 13 anos. Entre elas, 30% dos crimes são cometidos por pessoas conhecidas. “Vamos ter que trabalhar uma geração inteira”, disse Damares.

Em entrevista concedida em dezembro do ano passado, Damares detalhou ter sido vítima de uma série de abusos sexuais quando era criança. O projeto de lei de autoria de Bolsonaro (PL 5398/2013) propõe a castração química para condenados pelos crimes de estupro e estupro de vulnerável. Como requisito para obtenção de liberdade condicional e progressão do regime, o preso passaria por um tratamento químico voluntário para a inibição do desejo sexual.

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