Ministro do Planejamento diz que o placar da votação da denúncia contra Temer na Câmara dos Deputados “dá mais segurança para avançar nas reformas”

O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, afirmou nesta sexta-feira (04) que o placar da votação que rejeitou a denúncia contra o presidente Michel Temer na Câmara dos Deputados mostrou uma força muito grande do governo e “dá mais segurança para avançar nas reformas”.

O placar da votação serviu de termômetro para o governo, que conseguiu obter 292 votos a favor da rejeição da denúncia. Apenas 20 parlamentares votaram contra, e outros dois decidiram se abster.

Problemas fiscais

O ministro disse ainda que os problemas fiscais vão continuar mesmo com a recuperação da economia e defendeu que a Previdência é prioritária para o equilíbrio das contas públicas. “O problema do funding fiscal vai permanecer apesar da retomada do crescimento”, declarou durante evento voltado para o setor imobiliário em São Paulo.

Oliveira afirmou que os eventos políticos desta semana reduziram as incertezas e que o cenário “começa a se endereçar”. Ele enfatizou que os setores econômicos que mostram bom desempenho neste ano, como o agronegócio, não ajudaram muito a melhorar o quadro fiscal. “Estes setores não têm arrecadação muito forte”, disse.

O ministro também defendeu que a Previdência, com forte peso sobre os gastos públicos, ainda é prioritária para o esforço fiscal e assim será “ao longo das próximas semanas”. Ele também declarou que é factível o prazo até outubro dado pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, para a aprovação da reforma da Previdência. Sobre a possível revisão da meta fiscal, o ministro do Planejamento disse que as medidas que forem adotadas serão comunicadas assim que houver uma decisão do governo.

Oliveira afirmou esperar que o PIB (Produto Interno Bruto) do segundo trimestre será praticamente neutro. “Se for negativo será coisa pequena, se vier positivo também será pouco”, disse.

Cargos

Partidos da base aliada de Michel Temer que votaram em massa a favor do presidente na quarta-feira aumentaram a pressão por cargos ocupados por “infiéis”. Eles ameaçam travar a discussão da reforma da Previdência e até retirar apoio ao presidente na votação de uma provável segunda denúncia apresentada pela PGR.

O principal alvo das reclamações é o PSDB, que ocupa quatro ministérios e cargos em escalões inferiores, mas entregou menos da metade de seus 46 votos a favor de Temer. Horas depois da vitória do governo na Câmara, dirigentes do PMDB e de siglas do chamado centrão mandaram recados ao Planalto para exigir uma recompensa imediata pela fidelidade demonstrada no placar de 263 votos.

Além do partido do presidente, o bloco formado por PP, PR, PSD, PTB, PRB e outras legendas reclama de “sinais trocados” enviados pelo Planalto nos últimos dias, que demonstrariam um recuo em promessas de reorganização dos cargos ocupados pela base. Essas siglas alegam que votaram por Temer sob a condição de que teriam suas demandas atendidas de imediato. Parte delas, inclusive, ameaça abrir processos internos para punir quem se posicionou contra o presidente.

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