Ministro do Supremo intimou o diretor-geral da Polícia Federal a explicar as declarações sobre o processo de Temer

O ministro Luís Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal), intimou o diretor-geral da PF (Polícia Federal), Fernando Segovia, a explicar declarações dadas em entrevista sobre investigação sobre o presidente Michel Temer. A assessoria de Segovia informou que o diretor-geral da PF está em viagem ao exterior e ainda não recebeu a intimação.

Em entrevista à agência de notícias Reuters, Segovia disse que a tendência na PF é recomendar o arquivamento da investigação, na qual Temer é suspeito de beneficiar a empresa Rodrimar em um decreto que renovou concessões no Porto de Santos.

Para Barroso, a conduta de Segovia “é manifestamente imprópria e pode, em tese, caracterizar infração administrativa e até mesmo penal”.

O ministro entendeu que na entrevista o diretor da PF ameaçou o delegado responsável pelo caso, “que deve ter autonomia para desenvolver o seu trabalho com isenção e livre de pressões”.

Considerou também que a investigação ainda tem diversas diligências pendentes, “razão pela qual não devem ser objeto de comentários públicos” e que, como relator do caso, ainda não recebeu relatório final” do delegado Cleyber Malta Lopes nem parecer da PGR (Procuradoria-Geral da República), que conduz a investigação.

Nota a PF

Em nota enviada aos servidores da PF,  Fernando Segovia negou que tenha previsto o arquivamento de um inquérito que investiga o presidente Michel Temer durante entrevista concedida à imprensa na sexta-feira (6). No comunicado aos colegas, Segovia afirma que as investigações contam com “autonomia e isenção” e disse que confia nas equipes da PF.

“Afirmo que, em momento algum, disse à imprensa que o inquérito será arquivado. Reafirmo minha confiança nas equipes que cumprem com independência as mais diversas missões. É meu compromisso na gestão da PF resguardar os princípios republicanos. Asseguro a todos os colegas e à sociedade que estou vigilante com a qualidade das investigações que a Polícia Federal realiza, sempre em respeito ao legado de atuações imparciais que caracterizam a PF ao longo de sua história”, disse no comunicado. O diretor-geral afirma ainda que, na entrevista, disse que o inquérito é conduzido pela equipe “com toda autonomia e isenção”.

De acordo com a assessoria da Polícia Federal, Segovia “responderá diretamente” a Barroso sobre o assunto na quarta-feira (14).

Investigação

Temer é investigado por corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro por ter, supostamente, recebido vantagens indevidas de uma empresa para editar o chamado Decreto dos Portos. Na intimação também divulgada neste sábado (10), o ministro Barroso afirma que a investigação não foi concluída e ainda há “diversas diligências pendentes”, e por isso o assunto não deveria ser “objeto de comentários públicos”.

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