Morre voluntário brasileiro que participava de testes da vacina de Oxford; laboratório não confirma se ele recebeu de imunizante ou placebo

Voluntário era médico, tinha 28 anos e atuava na linha de frente contra o coronavírus. (Foto: Reprodução)

Um voluntário brasileiro de 28 anos que participava dos testes clínicos da vacina que está sendo desenvolvida pela Universidade Oxford e pelo laboratório AstraZeneca morreu por complicações de Covid-19, na última quinta-feira (15). A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) teria sido informada oficialmente nesta segunda-feira (19). Ainda não foi divulgado, devido a questões de sigilo legal, se o voluntário, que era médico, tomou o imunizante ou o placebo.

Conforme a Anvisa, os desenvolvedores da vacina já compartilharam com a agência os dados da investigação realizada pelo Comitê Internacional de Avaliação de Segurança sobre o caso, mas ainda não foram divulgados.

O voluntário atuava desde março na linha de frente do atendimento a doentes de Covid-19, em UTIs e emergências de um hospital privado e de outro da rede municipal, ambos na Zona Norte do Rio de Janeiro.

Segundo pessoas próximas do médico, ele tinha boa saúde e não sofria de nenhuma comorbidade. A participação no estudo para a vacina da AstraZeneca/Oxford teria ocorrido no fim de julho. Ele ficou doente em setembro e seu quadro se agravou até sua morte.

Haveria ao menos três possibilidades para explicar a morte do médico. A primeira é a dele ter recebido o placebo, uma vacina de meningite, em vez do imunizante contra coronavírus. Ele estava ciente de que haveria essa possibilidade e nem os pacientes nem os cientistas sabem quem tomou o quê, ficando estas informações em sigilo.

A segunda possibilidade é de que ele tenha tomado a vacina real mas de que ela não tenha sido suficiente. Haveria a necessidade de uma segunda dose, que inclusive estava sendo administrada aos voluntários após o estudo mostrar que duas doses seriam mais eficientes. Não está claro se ele tomou essa segunda dose.

A terceira hipótese é de que ele não tenha ficado sob proteção e o coronavírus tenha sido agravado por anticorpos que intensificaram os efeitos da doença, em vez de reduzir.

No mês de setembro, os testes com a vacina foram suspensos por alguns dias em todo o mundo após um participante apresentar reações adversas sérias. Conforme o jornal The New York Times, o participante teve mielite transversa, uma síndrome inflamatória que afeta a medula espinhal e costuma ser desencadeada por infecções virais.

Os testes foram retomados após a avaliação de que o benefício em relação ao risco ainda era favorável. Segundo especialistas, é normal em testes de vacinas que aconteçam suspensões temporárias no caso de qualquer suspeita em relação ao que está sendo testado.

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