Na primeira visita ao Congresso Nacional desde que foi eleito, Jair Bolsonaro disse que a Constituição é o único “norte” da democracia

Na primeira visita ao Congresso Nacional desde que foi eleito, Jair Bolsonaro participou, na manhã desta terça-feira (6), de uma sessão solene em homenagem aos 30 anos da Constituição. Na tribuna, ele disse que a Constituição é o único “norte” da democracia. “Na topografia, existem três nortes, o da quadrícula, o verdadeiro e o magnético. Na democracia só um norte, é o da nossa Constituição”, afirmou durante uma breve fala no evento.

“Obrigado pela oportunidade. Estou muito feliz de retornar a essa Casa, rever velhos amigos, fazer novas amizades. Estamos aqui em um dos centros do poder, juntos, Executivo, Legislativo, Judiciário. A responsabilidade é de todos nós”, declarou o militar. “Pedimos a Deus que nos ilumine. Agradeço por Ele ter salvo a minha vida há pouco tempo. Vamos continuar construindo o Brasil que o nosso povo merece. Temos tudo para sermos uma grande nação”, acrescentou.

Bolsonaro se sentou na tribuna ao lado do presidente Michel Temer, do presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do ex-presidente José Sarney. Também ocuparam a tribuna o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Dias Toffoli, e a procuradora-geral da República, Raquel Dodge.

Essa é a primeira viagem de Bolsonaro a Brasília desde que ele venceu as eleições. O presidente eleito chegou por volta de 9h50min ao Congresso, local em que trabalhou nos últimos 28 anos como deputado. Acompanhado por uma escolta policial, ele cumprimentou colegas e funcionários antes de se dirigir ao plenário da Câmara, onde foi realizada a sessão. No trajeto final até o plenário, Bolsonaro caminhou sobre um tapete vermelho ao lado de Temer e Eunício.

Discursos

Ao longo da cerimônia, Bolsonaro foi frequentemente abordado por deputados, que dirigiam cumprimentos ao presidente eleito. Primeiro a discursar, o presidente do Senado afirmou que a Constituição de 1988 marcou a transição para o período democrático mais longo da história do País. “Devemos sempre, sempre respeitá-la [a Constituição], e, principalmente, cumpri-la”, ressaltou o senador. Eunício saudou as presenças de Sarney, Temer e Bolsonaro e afirmou que o encontro dá início ao processo de transição para o próximo governo.

Em seguida, Maia disse que os brasileiros não se deixaram seduzir, durante a campanha eleitoral, por propostas de uma nova Constituição. “Não é trivial que propostas que acenaram para a substituição da Constituição em vigor tenham sido repudiadas pela opinião pública durante o último processo eleitoral”, afirmou o presidente da Câmara.

Para Maia, a defesa da Constituição não exclui o fato de que o texto precisa de reformas. “O fato de não queremos uma nova Constituição, não é o mesmo que a negar necessidade de reformas. Pelo contrário, Constituições longevas passam por processos profundos de mudança para que possam continuar dialogando com o mundo”, argumentou.

Raquel Dodge lembrou que a Constituição garante a liberdade de imprensa e de opinião, além proteger as minorias. “Nossa Constituição reconhece a pluralidade étnica, linguística, diferença de opinião, a equidade no tratamento e o respeito às minorias, garante liberdade de imprensa para que a informação e a transparência saneiem o conluio e revelem os males contra indivíduos de bem comum”, afirmou.

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