O BNDES agora vai privilegiar o crédito para médias, pequenas e microempresas

O futuro presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Paulo Rabello de Castro, afirmou que o presidente Michel Temer lhe pediu preocupação especial com o crédito para médias, pequenas e microempresas (MPMEs). Em meio à controvérsia que envolve financiamentos e aportes bilionários da instituição para o grupo JBS, entre outros, o economista contrapôs o foco nas empresas de pequeno porte à distribuição de empréstimos a grandes grupos.

“Queremos mais fazedores anônimos do que grandes marqueteiros ostensivos. O Brasil anônimo precisa ser apoiado, não subsidiado”, afirmou Rabello de Castro, que atualmente dirige o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Ele se reuniu com Temer de manhã, em Brasília.

Joesley Batista, um dos controladores do JBS, gravou secretamente uma conversa com o presidente Michel Temer, desencadeando nova crise. A política de apoio a megagrupos, chamados “campeões nacionais”, marcou os governos petistas, encerrados no ano passado com o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Rabello de Castro afirmou ainda que a queda nos desembolsos da instituição ocorre porque a procura por crédito “andou rareando nos últimos 12 ou 24 meses”.

“Em qualquer fase recessiva, as instituições financeiras têm atitude mais restritiva do crédito”, disse Rabello de Castro, em entrevista pouco antes da cerimônia de lançamento da Agência IBGE Notícias, no Rio. “Quando junta demanda rala com reforço a regras de prudência, o resultado final é menos crédito concedido”, disse o economista.

O economista destacou que o arrefecimento da inflação permitirá uma queda na taxa básica de juros, abrindo oportunidade para um novo ciclo na economia. Isso não quer dizer, afirmou, que o BNDES deveria ter atuação contracíclica, ampliando linhas de crédito em momentos de contração na atividade.

Segundo ele, ciclo e contraciclo são fases normalmente curtas, medidas em “grupos de trimestres”. Nesse quadro, o BNDES é uma instituição de “ciclo longuíssimo”.

“Não estou vendo contraciclo nenhum no investimento de longo prazo. Vejo um mergulho estrutural nos investimentos”, afirmou. “A pergunta é por que os investimentos não acontecem com o vigor que deveriam ter, num País que deveria ser uma locomotiva de formação de capital.”

Rabello de Castro disse que sua posse no banco poderá ser na próxima quinta-feira, mas isso ainda depende das agendas dos ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, e do Planejamento, Dyogo Oliveira. O economista sinalizou que manterá a atual diretoria do BNDES, formada por Maria Silvia Bastos Marques, que ficou um ano no cargo de presidente.

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