O Brasil deve buscar 100% de autonomia na produção de vacinas, dizem especialistas

Para pesquisadores brasileiros envolvidos em outros estudos de imunizantes contra o coronavírus, é importante ter uma vacina nacional porque isso pode nos dar autossuficiência na produção das doses – sem ficar na dependência de receber insumos estrangeiros, como ocorre atualmente com a Coronavac, no Butantan, e a vacina de Oxford/AstraZeneca, na Fiocruz.

O Instituto Butantan anunciou detalhes sobre a Butanvac, candidata a imunizante contra a covid-19 que deve ser testada em humanos a partir de abril, caso receba autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O governo federal também informou que outros imunizantes nacionais estão em estágio avançado. Segundo o ministro de Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, um deles, desenvolvido pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), da USP, também aguarda aval da Anvisa para testes.

“Tudo isso tem de ocorrer: investimento em pesquisa, buscar um produto nacional. Só assim vamos ter uma autonomia, porque até agora estamos reféns do IFA (Insumo Farmacêutico Ativo)”, comenta a epidemiologista Denise Garrett, vice-presidente do Instituto Sabin Vaccine.

Mas, na visão da pesquisadora, o cronograma apresentado pelo Instituto Butantan não parece muito realista. “É muito otimista, ainda mais considerando todos os atrasos de divulgação de dados que ocorreram com a Coronavac”, diz.

Para o imunologista Jorge Kalil, do Incor, que também está pesquisando uma alternativa de vacina brasileira, a vantagem do imunizante feito com o vírus da doença Newscastle é que ele poderá ser produzido com facilidade pela fábrica que o Butantan já tem para a vacina da gripe. “Mas o importante de uma vacina é a descoberta, não apenas a produção”, destacou o pesquisador ao Estadão.

Kalin observa que mesmo a vacina da Farmacore, em parceria com a USP e o Ministério da Ciência e Tecnologia, também tem uma parceria de desenvolvimento com os Estados Unidos. “Não dá, neste momento, para falar em nenhuma vacina desenvolvida 100% no Brasil”, diz.

Painel

Um painel que descreve os documentos enviados e o status de avaliação de pedidos de autorização de uso emergencial de vacinas contra a covid-19 foi elaborado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A ferramenta permite acompanhar em tempo real o andamento das solicitações cujo status varia entre em análise, dados insuficientes, concluído, não apresentado e pendente de complementação.

Segundo a agência, a ferramenta traz, também, a porcentagem relativa ao status de submissão de cada um dos relatórios e informações necessárias à análise de autorização de uso temporário e emergencial. “A porcentagem concluída é estimada com base no status de submissão, na criticidade dos dados, bem como no esforço necessário para sua geração e avaliação”, informou a agência.

Sobre os dois pedidos recebidos esta semana, da Janssen e da Sputnik V, o painel aponta as seguintes informações: Janssen: 32% concluído; 54% em análise e 14% pendente de complementação. Sputnik V: em razão da ausência de documentos considerados importantes para a análise, conforme previsão legal, houve a suspensão da contagem dos prazos, até que a empresa apresente as informações descritas como “não apresentadas” no painel divulgado.

“Na medida em que as informações pendentes forem enviadas à Anvisa, bem como a análise dessas informações for sendo concluída, será possível observar a alteração da porcentagem de conclusão da avaliação de cada processo”, acrescentou a Anvisa. O painel será atualizado sempre que houver novidade.

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