O candidato Jair Bolsonaro é uma ameaça real ao Brasil e à democracia, diz Ciro Gomes

Pré-candidato à Presidência pelo PDT, o ex-governador do Ceará Ciro Gomes qualificou um de seus adversários, o deputado Jair Bolsonaro (PSL), de “uma ameaça ao País” e chamou de “boçal” a promessa do parlamentar de fazer uma equipe ministerial composta, em sua metade, por generais.

“Tem um concorrente meu aí prometendo que vai botar metade de seu governo de generais, na suposição imbecil – boçal que é – de que general é capaz de entender de tudo melhor que a gente”, criticou o presidenciável, que participou de um encontro com integrantes da ABiogás (Associação Brasileira de Biogás e de Biometano).

Sobre sua equipe ministerial caso seja eleito, Ciro disse que precisará ser “contemporizador das contradições brasileiras” e que essa modulação depende do patamar de votos com que chegaria à Presidência. Na “improbabilíssima” possibilidade de vencer no primeiro turno , sua equipe ministerial teria “excelência técnica muito maior que política”, disse.

Já uma vitória no segundo turno significaria uma composição maior, notou, salientando que negociação “não é loteamento de cargos”. Para jornalistas, após a apresentação, Ciro disse ainda que Bolsonaro representa uma “ameaça” ao País por representar uma chance de “aprofundamento terminal da crise brasileira”.

“Para dar um exemplo: nos últimos dias, Bolsonaro – que já apresentou projeto para punir obstrução de vias -, apoiou a manifestação dos caminhoneiros. Três dias depois, quando o governo anunciou punições aos grevistas, disse que revogaria elas caso eleito, e três dias depois está retirando o apoio aos caminhoneiros. É esse o tipo de presidente que queremos?”, questionou.

Temporária

Ciro Gomes comentou nesta terça-feira (4) que acredita que a intenção de voto em Jair Bolsonaro (PSL) é temporária. “É uma espécie de pit stop dos eleitores. A elite está produzindo este fenômeno. Há uma justa repulsa da sociedade ao status quo. Não à toa, Bolsonaro lidera entre ricos, brancos e machos, ou melhor, homens. É o lado mais truculento da sociedade”, afirmou.

“Suicídio coletivo”

O pedetista disse ainda acreditar que os eleitores não vão eleger Bolsonaro presidente. “O Brasil não vai cometer este suicídio coletivo”, afirmou. O candidato se colocou ainda como uma opção antipolarização. “Quero unir o Brasil contra esta coisa odienta de coxinhas contra mortadelas”, disse. Posteriormente, o candidato reconheceu ser um candidato de centro-esquerda. “Na confrontação direta, odienta, estou do lado dos mortadelas”, disse.

“Doce de coco”

Ciro Gomes, candidato do PDT ao Planalto, decidiu que é hora de deixar de lado a versão batizada por ele de “doce de coco” adotada no início da campanha, e partiu para o ataque de adversários, em especial Geraldo Alckmin (PSDB), que ele disse ser responsável, junto com Michel Temer, pelas reformas “antipovo, antipobre e antinação”.

“Vai ficando claro que o inimigo hoje do povo brasileiro é a economia política que representa o governo Temer e o PSDB. Evidentemente que a responsabilidade grave por isso é centralizada no Temer, no Alckmin e no simpático [Henrique] Meirelles [MDB]”, afirmou Ciro a jornalistas.

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