O candidato Jair Bolsonaro leva vantagem sobre Marina Silva entre os evangélicos: na disputa presidencial de 2014, ela tinha a preferência do eleitorado desse segmento religioso

Líder nas pesquisas de intenção de voto nos cenários sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, amplia sua vantagem sobre a segunda colocada, Marina Silva (Rede), quando são considerados apenas os eleitores evangélicos. Bolsonaro passa de 20% entre o público geral para 26% nesse segmento, de acordo com dados da pesquisa do Ibope, divulgada na segunda-feira (20). Ao contrário do que aconteceu em 2014, Marina permanece no mesmo patamar: 12%. Tanto Bolsonaro quanto Marina são evangélicos.

Em 2014, na véspera do primeiro turno das eleições presidenciais, Marina (então no PSB) tinha 33% das intenções de voto entre os evangélicos, segundo o Ibope. Era a única que crescia nesse segmento. No público geral, ela marcava 21%. Dilma Rousseff (PT) caía de 40% para 32%, enquanto Aécio Neves (PSDB) passava de 24% para 21%.

Na semana passada, durante o debate presidencial da “RedeTV!”, Bolsonaro e Marina discutiram sobre o tema. Ele afirmou que há uma contradição no fato de a adversária ser evangélica e, ao mesmo tempo, defender um plebiscito para discutir a legalização do aborto e das drogas. Já Marina criticou Bolsonaro por ensinar uma criança a imitar, com as mãos, uma arma, citando a Bíblia. Ela ainda acrescentou que o Estado é laico.

Na disputa desse ano, Geraldo Alckmin (PSDB) fica em terceiro lugar entre os evangélicos, com 7% — mesmo número que tem no eleitorado geral. Ciro Gomes (PDT) cai de 9% para 6%, enquanto as intenções de voto em Fernando Haddad (PT) — provável substituto de Lula — diminuem de 4% para 2%.

Em sua pré-campanha, Henrique Meirelles (MDB) participou de diversos eventos evangélicos para se tornar mais conhecido entre esse público, mas até agora não houve resultados: ele permanece com 1%. A mesma coisa ocorre com Cabo Daciolo (Avante), que tem forte discurso religioso.

Lula lidera tanto entre os evangélicos quanto entre os católicos 

Entre os católicos, Bolsonaro cai para 17%, mas permanece na liderança. Marina segue com 12%, e Ciro chega a 10%. Alckmin tem 8% e Haddad, 3%. Quando o ex-presidente Lula é incluído na pesquisa, ele lidera tanto entre os evangélicos (com 39%) quanto entre os católicos (52%). O petista, no entanto, não se enquadra nos parâmetros estabelecidos na Lei da Ficha Limpa, por ter sido condenado em segunda instância, e deve ter sua candidatura barrada.

Crítica

Bolsonaro fez na manhã desta sexta-feira (24) uma carreata e uma caminhada pelas ruas de São José do Rio Preto em seu terceiro dia de campanha pelo interior de São Paulo. Ao chegar à cidade, ele fez um discurso em carro de som, no qual chamou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – candidato do PT à Presidência – de “vagabundo”, “malandro” e “bandido”.

Na fala aos apoiadores de sua campanha, Bolsonaro criticou institutos de pesquisa e veículos de imprensa pelo fato de Lula, que está preso em Curitiba desde abril, estar sendo incluído nos levantamentos de intenção de voto como postulante à Presidência. Na avaliação do candidato do PSL, a inclusão de Lula nas pesquisas é uma “vergonha”.

 

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