O Congresso não aprovou “pautas-bomba” nem deixou “herança maldita”, disse o presidente do Senado

Em discurso de 13 minutos no plenário da Câmara dos Deputados, o presidente do Senado e do Congresso Nacional, Eunício Oliveira (MDB-CE), elogiou nesta terça-feira (1º) ajustes promovidos pelo governo Michel Temer e negou que os parlamentares tenham aprovado as chamadas “pautas-bomba” para o governo de Jair Bolsonaro.

Eunício discursou durante a cerimônia de posse do presidente eleito. Antes, Bolsonaro fez um discurso de nove minutos, no qual propôs um “pacto nacional” entre a sociedade e os poderes da República.

Nos últimos dias de legislatura, deputados e senadores aprovaram projetos que aumentam as despesas para o próximo governo, como o reajuste para ministros do Supremo Tribunal Federal. Nos bastidores, Eunício foi acusado por integrantes do governo de transição de ter aprovado as chamadas “pautas-bomba” devido a uma suposta falta de articulação do novo governo com o Congresso.

“Este Congresso não faltará a Vossa Excelência nem ao Brasil, como também não faltou na legislatura que se encerra dentro de um mês […] Aqui, neste congresso, não houve pauta-bomba nem deixou-se qualquer herança maldita. Houve, sim, muito trabalho para avançar na pauta que era necessária ao país”, disse Eunício.

Antes, o presidente do Congresso elogiou o antecessor de Bolsonaro, Michel Temer. Disse que o próximo governo iniciará “com diversos ajustes feitos com a colaboração do Congresso Nacional” e que Bolsonaro enfrentará “um pouco menos de dificuldade”, em virtude de matérias propostas por Temer e aprovadas pelo Congresso, como o teto de gastos.

Eunício afirmou ainda que Jair Bolsonaro terá a “maior” das responsabilidades a partir desta terça, que será a de conduzir o Brasil. Segundo ele, apesar de existirem poderes independentes, é “inegável que a Presidência da República tem um simbolismo que a torna o centro da maior parte das reivindicações”.

“Esses poderes, independentes e harmônicos, deverão trabalhar, juntos, para o bem deste país. Isso porque, quando as regras vigentes não permitirem que se faça o que o senhor eventualmente pretenda, será necessária alteração legislativa pelo Congresso Nacional, com o controle de constitucionalidade do Supremo [Tribunal Federal] e a permanente fiscalização do Ministério Público”, explicou o presidente do Senado.

Durante a fala, Eunício lembrou que a população brasileira escolheu um presidente que “viveu e trabalhou por sete mandatos como deputado federal” e, por isso, terá experiência para lidar e trabalhar com o Congresso durante o mandato.

“Com trabalho, diálogo, paciência e perseverança, Vossa Excelência com certeza triunfará como presidente de todos os brasileiros. […] Seja Vossa Excelência o melhor exemplo de conduta que pretenda exigir de seus governados, pois as palavras perpetuam os fatos, mas só as ações constroem a história. Ou, como diria a máxima atribuída a Confúcio: ‘o discurso empolga; mas o exemplo arrasta’”, concluiu o presidente do Senado.

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