O dinheiro roubado pelo ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral é devolvido para a educação

Parte do dinheiro roubado pela quadrilha do ex-governador Sérgio Cabral será devolvido e utilizado na reforma de colégios. Dez escolas da capital, da Região Metropolitana e do interior do Rio de Janeiro serão beneficiadas. Cada uma deve receber em torno de R$ 1,5 milhão, segundo informações do “Jornal Nacional”, da TV Globo.

O acordo foi assinado ontem à tarde entre Ministérios Públicos estadual e federal, governo do Estado e Judiciário. A secretaria de Educação vai poder usar o dinheiro para obras e reformas de infraestrutura. O projeto terá que ser aprovado pelo juiz da Operação Lava-Jato no Rio, Marcelo Bretas. Os procuradores disseram que o uso do dinheiro terá um conrole rígido.

“Houve um critério objetivo para a identificação das escolas que precisam das reformas. Houve metolodia para transferência dos recursos. Foi estabelecido um órgão externo para acompanhamento dos projetos e prestação de contas. A escolha da destinação foi feita pelo estado”, disse o procurador da República Sérgio Pinel.

Na terça, um dos operadores do esquema de Cabral, Carlos Miranda, foi ouvido em depoimento pelo juiz Marcelo Bretas. Ele disse que também havia esquema de propina na Seap (Secretaria de Administração Penitenciária), além do Detran e das secretarias de Educação e de Saúde. Ele afirmou ainda que o próprio Cabral se assustou ao saber que mais de R$ 300 milhões da organização criminosa já foram devolvidos. Cabral também foi interrogado ontem por Bretas por videconferência.

“Olho no olho”

Alegando ser prejudicado em seu direito de defesa, na tarde de terça-feira o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral se negou a responder a perguntas por videoconferência no processo a que responde por lavagem de dinheiro e envio de dinheiro ilícito para o exterior. Na primeira audiência realizada após a sua transferência para o Complexo Médico-Penal de Pinhais, em Curitiba (PR), ele disse que prefere falar “olho no olho” com o juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal.

Preso desde novembro de 2016 por comandar um amplo esquema de corrupção durante o período em que ocupou o cargo (2007-2014), Cabral estava arrolado para depor nessa terça-feira, por meio de videoconferência, mas argumentou que não poderia dar prosseguimento à sessão de interrogatório por não ter contato suficiente com o seu defensor, Rodrigo Roca, baseado no Rio de Janeiro.

“Eu tenho respondido a todas as questões. Mas, neste caso, o meu direito de defesa está prejudicado. Estou há mais de 30 dias em Curitiba, longe de minha família e não tive oportunidade de estar com o meu advogado, pelo fato dele estar respondendo a prazos, alegações finais, razões de apelações feitas na segunda instância”, frisou Cabral. “Não há qualquer preso em Curitiba com 20 processos no Rio de Janeiro.”

Após a sessão, o advogado Rodrigo Roca disse que já está apelando ao STF (Supremo Tribunal Federal) para que o seu cliente retorne para o Rio de Janeiro. Na avaliação do advogado, há uma clara “falta de isonomia” entre o tratamento dado ao ex-governador e aos demais presos da Operação Lava-Jato que estão no Rio de Janeiro.

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