O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral foi condenado pela quinta vez e a pena já chega a 100 anos

O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral foi condenado a 13 anos e 4 meses de prisão pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio.

Cabral já havia sido condenado a 87 anos em outros quatro processos. As penas agora chegam a 100 anos, em cinco ações: quatro com Bretas, no Rio, e uma com o juiz Sérgio Moro, no Paraná.

Ex-secretário fala de propinas

O ex-secretário estadual de saúde de Sérgio Cabral (PMDB), Sérgio Côrtes, disse nesta sexta-feira que um empresário que forneceu contêineres para o governo do Estado do Rio virou “contribuinte” do atual governador, Luiz Fernando Pezão (PMDB), e o ex, Sérgio Cabral (PMDB), atualmente preso em Curitiba. Ele afirmou também que considera “contribuição” propina.

A afirmação aconteceu durante depoimento nesta sexta-feira (2) ao juiz Marcelo Bretas, na Justiça Federal. A audiência faz parte da Operação Fatura Exposta.

Segundo Côrtes, o atual governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) o apresentou a um empresário de Barra do Piraí, cidade de Pezão, para fabricar contêineres de UPAs para a pasta que presidia. Após o fornecimento, disse Côrtes, o empresário chamado Ronald Carvalho teria virado “contribuinte” de Sérgio Cabral e Pezão.

“O Ronald Carvalho virou um contribuinte do (então) governador (Cabral) e do próprio (então) vice-governador (Pezão)”, afirmou.

Ao abrir o interrogatório, Côrtes esclareceu: “Toda vez que eu falar contribuição estou falando de propina”.

Pezão divulgou nota negando as declarações de Côrtes: “Repudio veementemente essa mentira sórdida, que vem de uma pessoa que não fez parte do meu secretariado. A afirmação absurda é um ato de desespero de alguém que já admitiu ser corrupto, esteve preso, vem sendo acusado frequentemente de corrupção e não honrou a classe médica. Agora, inventa mentiras para amenizar sua pena forçando uma delação premiada, com afirmações que são falsas e mentirosas”, disse o governador.

Já Cabral afirmou que “foi conhecido por dar autonomia a seus secretários e isto foi reconhecido pelo próprio Sérgio Cortes. Jamais interferiu em contratos ou na rotina das Secretarias do seu governo. Na gestão Cabral, o Rio criou 7 Novos Hospitais, reformou os antigos, criou 54 UPAs e aumentou vertiginosamente o número de exames médicos. Cabral jamais recebeu propina de quem quer que seja, quando muito, doações não contabilizadas para campanhas.”

Durante a audiência, o ex-secretário admitiu ter recebido propina, mas nega superfaturamentos. Segundo ele, recebia valores viciando licitações com grandes empresas, que seriam as melhores, e fabricavam em grande escala. Com isso, diz Côrtes, os produtos saíam mais barato.

Na investigação, os procuradores acusam o ex-governador de liderar a organização criminosa que desviou R$ 300 milhões da Saúde. O valor representa 10% de contratos nacionais e internacionais, divididos como propina entre os integrantes da quadrilha. Côrtes e Cabral negam.

Sérgio Cabral ficaria com 5%; Sérgio Côrtes, com 2%. O restante seria dividido entre o subsecretário de saúde, Cesar Romero, e o TCE (Tribunal de Contas do Estado).

Côrtes foi um dos integrantes do grupo que participou do episódio conhecido como “farra dos guardanapos”. Na ocasião, em 2009, outros acusados de envolvimento em esquemas de corrupção foram fotografados em Paris usando guardanapos amarrados na cabeça.

Para o MPF, a “farra dos guardanapos” pode ter sido uma celebração antecipada da organização criminosa com a vitória da Rio-2016, vislumbrando novos desvios de verba pública.

Em seu depoimento, ele chegou a afirmar que provocou a “maior revolução que teve na área da Saúde” e que houve avanços “ancorados na corrupção”. Por isso, se disse arrependido pelos meios utilizados.

“Me deixei levar pelo poder, pela circunstância e tinha certreza de impunidade. Mas esse dinheiro ilícito que recebi, de alguma maneira, me incomodava”, disse ele.

O ex-secretário chegou a dizer que se sentiu injustiçado num primeiro momento, depois passando para um estágio de vergonha ao ser questionado pela filha do porquê estava preso.

Côrtes também disse que devolveu o dinheiro da corrupção espontaneamente. Na sua conta, consta uma transferência de US$ 1,5 milhão de dólares a Benedicto Júnior, diretor da Odebrecht. Ele justificou o depósito afirmando que, como Côrtes queria se candidatar a deputado, fez o depósito esperando que Benedicto Júnior, às vésperas da eleição, depositasse de volta. Mas não disse qual seria a intenção da negociação nem o porquê o valor não foi devolvido.

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