O julgamento de Lula lota hotéis em Porto Alegre

Com a proximidade do julgamento do recurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo TRF-4 (Tribunal Regional da 4ª Região), a cidade de Porto Alegre passa por um fenômeno raro nesta época do ano: a maioria dos hotéis na região do tribunal estão lotados.

A Frente Brasil Popular, que organiza os atos em defesa de Lula, espera 50 mil pessoas para apoiar o petista na Capital gaúcha, que tem cerca de um 1,5 milhão habitantes. Dos dez hotéis consultados nas proximidades do tribunal, seis já estão lotados. Os demais estavam com poucos quartos disponíveis.

A organização dos atos pró-Lula fez ainda uma parceria com a agência de viagens Roma Tour para hospedagens com descontos. Segundo o dono da empresa, Romalino Freitas, foram fechados cerca de 80 apartamentos até sexta-feira (19). “O que ainda é muito pouco perto do universo de pessoas que estão vindo pra cá”, disse.

De acordo com os dados do PT do Rio Grande do Sul, 323 pessoas solicitaram acampar com integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), que estarão no Anfiteatro Pôr do Sol. Outras 1,4 mil ficarão em alojamentos coletivos, que são ginásios, associações e sindicatos.

No site comlulaempoa.com.br, há ainda uma categoria de “hospedagem solidária”, na qual moradores de Porto Alegre disponibilizaram suas casas para os militantes de outras regiões. Cerca de 150 pessoas vão dormir em casas de gaúchos.

Apesar de as manifestações terem começado no início deste mês, será nos dias 23 e 24 que Porto Alegre atingirá a sua lotação máxima. O ato da véspera do julgamento contará com a presença dos senadores Paulo Paim (PT-RS) e Roberto Requião (PMDB-PR), da deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) e do líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, Guilherme Boulos.

Em coletiva de imprensa na sexta-feira, o vice-presidente do PT do Rio Grande do Sul, Carlos Pestana, disse que há uma “forte expectativa” das entidades e uma “enorme vontade” do próprio Lula de comparecer nos atos anteriores ao julgamento. “A ideia é que ele participe deste ato do dia 23 em Porto Alegre e volte para São Paulo a fim de participar das atividades na avenida Paulista”, informou Pestana.

Também na coletiva, o presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores) no Estado, Claudir Nespolo, reafirmou que as manifestações serão pacíficas. “Nós vamos colaborar com a segurança pública para identificar qualquer tipo de anormalidade e atitude que fuja ao nosso propósito de fazermos manifestações pacíficas”, disse. Segundo a programação do PT, nos dias que antecedem o julgamento e no dia 24, haverá protestos em outras cidades do País e do exterior, como Paris, Nova York, Cidade do México e Munique.

Lula foi condenado a nove anos e seis meses de prisão no caso do triplex em Guarujá, no litoral de São Paulo. A sentença foi dada pelo juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas ações da Operação Lava-Jato na primeira instância.

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