O ministro Raul Jungmann decidiu trocar o comando da Polícia Federal e demitiu Fernando Segovia; Rogério Galloro será o novo diretor-geral

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, decidiu nesta terça-feira (27) trocar o comando da Polícia Federal e demitir o atual diretor-geral da corporação, Fernando Segovia.

Para o lugar de Segovia, Jungmann indicou o atual secretário nacional de Segurança Pública, Rogério Galloro.

Galloro era o número 2 na hierarquia da Polícia Federal na gestão do antecessor de Segovia, Leandro Daiello, e foi o nome sugerido ao presidente Michel Temer – pelo então ministro da Justiça Torquato Jardim – para assumir o comando da PF. Ele, porém, foi preterido e Temer decidiu nomear Segovia.

Declarações de Segovia

No último dia 9, Fernando Segovia disse em entrevista à Reuters que, no inquérito, não foi encontrado indício de crime por parte de Temer. Segundo a agência, o diretor-geral da PF também indicou que a PF pediria o arquivamento das investigações.

As declarações de Segovia causaram intensa repercussão, a ponto de os delegados da PF que atuam no Supremo divulgarem mensagem contra o que ele disse. Além disso, Barroso intimou o diretor-geral a dar explicações. Segundo o ministro, Segovia disse ter sido mal interpretado.

“Quaisquer manifestações a respeito de apurações em curso contrariam os princípios que norteiam a Administração Pública, em especial o da impessoalidade e da moralidade”, afirmou Raquel Dodge ao Supremo.

O inquérito

O inquérito foi aberto em setembro do ano passado com base nas delações de Joesley Batista, dono do grupo J&F, e de Ricardo Saud, ex-executivo do grupo.

As investigações apuram o suposto pagamento de propina na edição, por Temer, de um decreto relacionado ao setor de portos.

De acordo com as investigações, a empresa Rodrimar, que atua no Porto de Santos (SP), teria sido beneficiada. Temer e a empresa negam a acusação.

Polêmica com a PGR

A PGR (Procuradoria-Geral da República) informou na segunda-feira (26) ter se manifestado ao STF (Supremo Tribunal Federal) a favor da prorrogação do inquérito que tem o presidente Michel Temer entre os investigados.

No mesmo documento, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu ao STF que emita ordem judicial para o diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segovia, se abster de “qualquer ato de ingerência” sobre o inquérito, sob pena de afastamento do cargo.

A manifestação de Raquel Dodge foi enviada após pedido do ministro do STF Luís Roberto Barroso, relator do caso.

No último dia 20, o delegado Cleyber Lopes, da Polícia Federal, pediu ao Supremo a prorrogação do inquérito por mais 60 dias.

Relembre o caso

Escutas telefônicas divulgadas pelo Supremo Tribunal Federal mostraram o ex-assessor especial da Presidência Rodrigo Rocha Loures defendendo interesses de empresas que atuam nos portos brasileiros.

Nas gravações, do dia 8 de maio de 2017, Rodrigo Rocha Loures, apontado como “homem de confiança” do presidente Michel Temer, conversa com Gustavo Rocha, chefe para assuntos jurídicos da Casa Civil.

Ele insiste em uma mudança no decreto sobre portos que, segundo investigadores da Polícia Federal, poderia beneficiar a Rodrimar, empresa à qual ele é ligado.

O decreto permitiu que as concessões para exploração de portos assinadas depois de 1993 fossem prorrogadas sem licitação por mais 35 anos, até o limite de 70 anos.

A Polícia Federal afirmou na época que o diálogo reforça a ligação de Rocha Loures com o presidente Michel Temer. Rocha Loures pressionou para que o Planalto incluísse no decreto uma regra que beneficiasse também quem conseguiu as concessões antes de 1993, o caso da Rodrimar, que atua no Porto de Santos.

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