O número de ataques criminosos a carros-fortes cresceu 53% no Brasil no primeiro semestre deste ano

O número de ataques criminosos a carros-fortes cresceu 53% no Brasil no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2017. É o que aponta levantamento feito com base em dados da ABTV (Associação Brasileira de Transporte de Valores) e da Contrasp (Confederação Nacional dos Trabalhadores de Segurança Privada).

O País teve 75 ataques a carros-fortes de janeiro a junho de 2018 em 17 Estados. No mesmo período do ano passado foram 49 ocorrências e, nos primeiros seis meses de 2016, foram 22 ações. O levantamento revela ainda que, nos últimos dois anos, a região Nordeste do País é a que vem acumulando mais casos de roubos e tentativas de assalto a carros-fortes.

Foram 34 ataques nessa região em 2016, 56 ações em 2017 e essa tendência persiste em 2018, quando, de janeiro a junho, quadrilhas armadas com metralhadoras e fuzis atacaram 46 carros-fortes. As quadrilhas que atuam no Nordeste têm sido chamadas de “novo cangaço”, numa alusão ao antigo bando de Lampião, por atacarem os veículos que passam por estradas cortando o sertão.

Nas outras regiões do País também houve um aumento significativo de ataques ao longo de três anos, mas reforçando a dinâmica: a região Sudeste aparecendo em segundo lugar no acúmulo de casos, seguida da Sul, Centro-Oeste e Norte. Foram mais 13 ocorrências na Sudeste, 11 ações na Sul, três ataques na Centro-Oeste e dois no Norte em 2018. No âmbito dos Estados, São Paulo e Bahia tiveram mais casos no primeiro semestre de 2018: cada um teve dez registros, entre roubos e tentativas de assalto a carros-fortes.

O que pode explicar o aumento

O consultor em segurança pública José Vicente da Silva Filho aponta a “facilidade” dos criminosos em conseguir roubar o dinheiro dos veículos e a “deficiência” das polícias em identificar e prender essas quadrilhas.

“O principal motivo é que é muito fácil. O principal objetivo de qualquer bandido é o dinheiro vivo. O dinheiro vivo está nos veículos de transporte de valores”, diz Silva Filho, que já foi secretário Nacional de Segurança Pública e é ex-coronel da PM (Polícia Militar) de São Paulo. “Como esse recurso é muito farto, dinheiro é farto, através de uma ação um pouco mais espetaculosa, em termos de armamento pesado, esses fatos vão acontecendo.”

“Nós temos uma deficiência da polícia para identificar esses grupos, então há uma tendência de expansão nesse tipo de crime”, aponta Silva Filho. O especialista afirma ainda que São Paulo e Bahia concentram mais ataques por causa da estruturação das quadrilhas que agem nesses territórios. “Quando há uma concentração desse crime, muito específico, podemos cogitar da existência de grupos organizados que não estão encontrando resistência por parte do trabalho da polícia, principalmente da polícia de investigação.”

Ataques a bases

Em 2016, havia mais ataques a prédios das empresas de transporte de valores no Brasil do que a carros-fortes. Foram registrados sete casos de invasão a bases.

Há dois anos, Ruben Shechter, diretor presidente da Associação Brasileira de Transportes de Valores, se reuniu com as empresas e secretarias de segurança públicas estaduais para adotar medidas preventivas de segurança e tentar reduzir os ataques às bases. As empresas investiram R$ 400 milhões em segurança nos últimos cinco anos, segundo a ABTV, que, alegando questões estratégicas de segurança, não divulga detalhes do que foi feito.

Em 2017, os ataques a transportadoras de valores caíram para três casos. E neste ano ocorreram duas investidas a bases – uma no dia 6 de fevereiro em Eunápolis, na Bahia, e outra no dia 1° de abril em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

Além de usar explosivos para roubar o dinheiro dos veículos, a violência dos assaltantes tem deixado vigilantes mortos e feridos nos confrontos. Levantamento a partir de dados da ABTV e Contrasp aponta que ao menos dez vigilantes foram mortos e outros 51 ficaram feridos durante ataques a carros-fortes e bases entre 2017 e o primeiro semestre deste ano.

 

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