O prejuízo da empresa de transporte coletivo Carris caiu 41% no ano passado

A Companhia Carris Porto-Alegrense divulgou nesta sexta-feira (25) as demonstrações financeiras de 2017. Mesmo com a queda de receita causada pela diminuição do número de passageiros nos ônibus, a empresa de transporte coletivo apresentou uma redução de 41,8% (o equivalente a R$ 31 milhões) no prejuízo em relação ao ano anterior.

A implantação de um novo modelo de gestão pela direção da companhia, com ações de controle e redução de custos e despesas, foi a principal responsável por esse resultado, de acordo com a prefeitura de Porto Alegre. O resultado reduziu a necessidade de aportes da prefeitura, acionista majoritária da companhia.

As demonstrações financeiras de 2016 e de 2017 foram auditadas por uma empresa de auditoria independente. “A interrupção da sequência contínua de aumentos nos prejuízos da Carris, observados no período de 2011 a 2016, já se configura em uma conquista importante no processo de reequilíbrio das contas da empresa, e a manutenção desse modelo de gestão, incluindo a implantação do processo orçamentário para o exercício de 2018, deve dar continuidade a essa tendência de melhoria nos resultados financeiros”, afirmou o Executivo municipal.

Fraude

No dia 9 deste mês, a Promotoria de Justiça Especializada Criminal, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do MP (Ministério Público) e a Brigada Militar cumpriram mandados de busca e apreensão e sequestro de bens contra um ex-funcionário da Carris que cometeu uma fraude superior a R$ 1,7 milhão na empresa pública de transporte coletivo.

Conforme as apurações, coordenadas pelo promotor de Justiça Flávio Duarte, em 1996 o homem fez uma carteira de identidade falsa em Santa Catarina em nome de uma pessoa que havia falecido em 1961. Com essa documentação, além de comprar automóveis e abrir contas em bancos, ele figurou como acidentado e beneficiário direto de indenização paga pela Carris, ocasião em que recebeu diretamente mais de R$ 365 mil.

Depois, o falsário passou à condição de advogado, com número de inscrição na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de uma pessoa já falecida, de diversas ações indenizatórias em nome de vítimas por ele inventadas. Os cheques de pagamento das indenizações das ações artificiais foram endossados para ele.

A fraude ocorreu entre agosto de 2015 e janeiro de 2017. A investigação foi instaurada a partir do recebimento de notícia-crime apresentada pela atual administração da Carris sobre os desvios, relativos a pagamentos de acordos e condenações judiciais fictícios, com a utilização de documentos falsos. Em uma das ações, o suposto beneficiário estava morto 12 anos antes de o acidente que gerou a indenização ocorrer. Em outro caso, foi forjado um documento como sendo oriundo do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, com logotipo, número de processo e nome falsos.

As investigações dão conta de que mais de R$ 100 mil foram aplicados apenas em joias. Além disso, os valores das indenizações foram utilizados na compra de veículos, em depósitos para parentes e conhecidos, além de doações para campanhas eleitorais em nome da pessoa falecida em 1961 e por intermédio de terceiros. O MP investiga a participação de outras pessoas que integravam a administração da Carris na época.

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