O presidenciável Ciro Gomes disse que o PT e Lula tentam impor “presidente por procuração”

Um dia depois de o PT lançar informalmente o que chamou de chapa presidencial triplex — com o ex-presidente Lula, o ex-prefeito Fernando Haddad e a ex-presidenciável do PCdoB, Manuela D’Ávila — o candidato à Presidência pelo PDT, Ciro Gomes, disse que o Partido dos Trabalhadores tenta impor ao eleitor um “presidente por procuração”. Ao se tornar inelegível, uma vez que sua condição jurídica preenche requisitos para que ele seja enquadrado na Ficha Limpa, Lula terá de ceder espaço para Haddad ou Manuela na disputa.

“Eu acho que o Brasil não precisa mais de um presidente por procuração. Aliás, não aguenta mais. É preciso construir uma liderança para tirar o Brasil desse momento de crise”, disse Ciro Gomes, em entrevista coletiva após participar de uma sabatina com presidenciáveis promovida pelo banco de investimentos BTG Pactual, em São Paulo. O pré-candidato do PDT repetiu que a estratégia da campanha petista é um convite para o Brasil se afundar.

“Estou preocupado, porque este é um convite à nação vir dançar na beira do abismo. Há uma imensa gratidão justa e merecida ao presidente Lula, mas isso é suficiente para deixar todas as regras de lado?”, questionou o presidenciável, referindo-se à situação jurídica do ex-presidente, preso desde 7 de abril por causa das denúncias envolvendo o apartamento triplex no Guarujá. Ele é acusado de receber o imóvel como forma de propina da construtora OAS em troca de benesses no governo petista.

“Isso (a influência de Lula na pré-campanha petista) gera uma confusão no meio de um povo. (O eleitor) está sendo enganado”, afirmou Ciro.

Também sabatinado no mesmo evento, o pré-candidato à Presidência pelo MDB, o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles, também criticou a candidatura tríplex do PT. “É uma estratégia complicada. Eu prefiro as coisas mais simples, diretas e objetivas. O eleitor que julgue”, disse o emedebista.

Meirelles afirmou que, em sua campanha, falará tanto de sua experiência como presidente do Banco Central nos oito anos de governo Lula, quanto dos dois anos como ministro da Fazenda de Michel Temer. Também disse que defenderá uma política “sem extremos” no País.

“O Brasil já se cansou de extremos e de propostas inexequíveis e radicais. O que precisamos hoje é não andar nem para a extrema direita, nem extrema esquerda. É andar para frente, avançar.”

Já o tucano Geraldo Alckmin, criticado por sua aliança com o centrão, chamou de mentiroso quem, segundo ele, prometer mudança sem articulação política.

“Todo mundo tentou fazer nossa aliança, mas não conseguiu. Ela é necessária para ganhar a eleição e para governar”, disse o ex-governador, afirmando que o tempo de televisão é fundamental para chegar em todas as cidades brasileiras. “Não acho que a televisão ganha das redes sociais, acho que complementa.”

Sem picolé de de Chuchu

Alckmin disse ainda que está mais preparado para governar o Brasil do que em 2006, quando disputou a Presidência pela primeira vez. O tucano ainda rebateu as críticas que recebe por seu estilo pouco incisivo. “Dizem que o Alckmin não dá pirueta no palco, é picolé de chuchu. Quem tem que fazer show é o povo, eu sou da discrição”, justificou.

Já o pré-candidato do Podemos, o senador Alvaro Dias, voltou a afirmar que convidará o juiz Sérgio Moro para o cargo de ministro da Justiça, embora o convite não tenha sido feito pessoalmente. Dias defendeu que uma “refundação da República”.

“Não estamos advogando uma nova constituinte porque o Brasil tem pressa, mas precisamos de reformas constitucionais fundamentais”, afirmou Dias, defendendo a continuidade do combate à corrupção. “A Operação Lava-Jato é, sim, prioridade. Que se combata os excessos, mas que se continue a limpeza.”

 

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