O procurador-geral da República Rodrigo Janot diz que a Operação Lava-Jato só é atacada por ignorantes e por quem defende “castas”

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, fez um discurso duro na abertura de um seminário promovido pelo CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) afirmando que somente dois tipos de pessoas atacam a Lava-Jato, os ignorantes e os que desejam defender “castas”.

“Há pessoas que acusam o Ministério Público e a Lava-Jato de abuso. Afirmam que o Brasil está se tornando um estado policial, um estado de exceção. Só dois tipos de pessoas adotam e acolhem esse tipo de discurso. Os primeiros, nunca viveram em uma ditadura, eu vivi. Não conhecem, por experiência própria, o que representa vida sem liberdade. Militam, portanto, na ignorância. Para esses, o esclarecimento dos fatos é mais do que suficiente. Mas há também aqueles que operam no engodo, os que não tem compromisso verdadeiro com o País. A real preocupação dessas pessoas é com a casta privilegiada da qual fazem parte. Empunham a bandeira do Estado de Direito, que vergonha, mas desejam defender os amigos poderosos com os quais se refestelam nas regalias do poder. Para essas figuras não há esclarecimento suficiente, porque a luz os ofusca, fogem da verdade com pavor dos que vivem no embuste. Escondem-se nas cavernas sombrias de seus mesquinhos interesses”, afirmou o procurador-geral.

Janot prosseguiu afirmando que a população vai reconhecer esses homens públicos que desejam proteger suas castas. Disse ainda que ser necessário dar um basta na hipocrisia.

“Um alerta a esses senhores: a sociedade brasileira está cansada, exausta, desses homens públicos. Pode levar um tempo, mas os brasileiros saberão reconhecê-los e serão fortes para repudiá-los, mesmo por detrás das fantasias cuidadosamente urdidas para enganar. A palavra de ordem tem de ser uma só: Basta de hipocrisia. Não há mais espaço para a apatia, ou caminhamos juntos contra essa vilania que abastarda a política ou estaremos condenados a uma eterna cidadania de segunda classe servil e impotente contra aqueles que deveriam nos representar com lealdade”, disse Janot.

Ele comentou que a instituição que comanda está em guerra contra um inimigo sem face. Disse que o combater não é contra pessoas e partidos, mas contra a impunidade e a corrupção.

“Estamos, como instituição, em guerra contra um inimigo sem face. Não é definitivamente uma guerra contra pessoas e contra partidos, mas contra a impunidade e a corrupção que dilapida o patrimônio do país. O Ministério Público não pode e nem estará sozinho nesse combate, sob pena de vermos fragorosamente derrotada a causa que pertence não ao Ministério Público, mas a todos nós. Contamos com a força e independência do Judiciário que não se deixará influenciar por pressões políticas e saberá julgar com imparcialidade e impor a todos, a todos, o império da lei e da Constituição, sem concessões aos poderosos de turno. Da sociedade, esperamos que exerça o seu juízo crítico e que saiba compreender os fatos para além das distorções que alguns veículos da imprensa publicam, está na moda a pós-verdade. É dever cívico de cada brasileiro decente empunhar arma da cidadania para fazer valer sua soberania”, afirmou o procurador.

Ele abriu sua fala citando um trecho do livro do historiador Eduardo Bueno no qual há uma citação à descrição feita por Theodoro Sampaio sobre a fundação da cidade de Salvador no Brasil Colônia, na qual ele aponta existência de cartel entre empreiteiras e corrupção de agentes públicos. Janot concluiu a exposição afirmando esperar que no futuro a descrição não seja mais considerada como atual pelos brasileiros.

“Espero um dia ler o relato de outro Theodoro Sampaio a respeito da construção da nossa primeira capital há 500 anos e constatar que aqueles fatos de triste memória ocupam enfim o lugar que lhes cabe na vida do nosso País, um passado longínquo, morto nas paginas da história e definitivamente sepultado. A ideia pode parecer hoje um devaneio inconsequente. Mas como disse um dos maiores estadistas do século XX (Winston Churchil): ‘o sucesso é nada mais que a habilidade de seguir de fracasso em fracasso sem jamais perder o entusiasmo’”, conclui Janot, sendo muito aplaudido.

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