ONU denuncia tortura e violência sexual contra manifestantes no Chile


Pelo menos 28.210 pessoas foram detidas durante os protestos no país
(Foto: Reprodução/Twitter)

O Alto Comissariado da ONU (Organização das Nações Unidas) para Direitos Humanos denunciou casos de estupro, tortura e abusos cometidos tanto pela polícia quanto pelas Forças Armadas do Chile na repressão aos violentos protestos contra o governo ocorridos nos últimos meses.

No documento, produzido pelo órgão liderado pela ex-presidente do Chile Michelle Bachelet, a missão da ONU contabiliza 24 casos de violência sexual, sendo 14 contra mulheres, seis contra homens, três contra meninas adolescentes e um contra um garoto adolescente.

Nesses episódios, conforme a ONU, as vítimas sofreram estupros, ameaças de estupros, tratamento degradante, comentários homofóbicos e misóginos e lesões em órgãos genitais, além de terem seus corpos apalpados.

Grande parte das mulheres entrevistadas, que foram detidas em diferentes regiões do país, relataram que foram forçadas a ficar nuas e fazer agachamentos. O relatório teve como base 235 entrevistas com vítimas e outras 60 com agentes de segurança.

A missão das Nações Unidas foi convidada pelo presidente chileno Sebastián Piñera para investigar eventuais violações de direitos humanos cometidas durante a repressão aos protestos. O documento afirma também que o alto número de manifestantes que tiveram ferimentos nos olhos – aproximadamente 350, segundo o documento – “constitui uma forte base para se acreditar que armas menos letais foram usadas de forma imprópria e indiscriminada”.

O órgão da ONU relata que ao menos 28.210 pessoas foram detidas durante os atos, grande parte delas jovens sem antecedentes criminais.

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