Os calotes no cartão de crédito atingiram o menor nível em 7 anos

A inadimplência dos consumidores no cartão de crédito atingiu o menor nível em 7 anos, segundo levantamento da Abecs (Associação das Empresas de Cartões), com base nos dados do BC (Banco Central), divulgado nessa terça-feira.

Os atrasos no pagamento do cartão caíram para 6,2% em dezembro, menor patamar da série histórica do BC, iniciada em março de 2011. Um ano antes, em dezembro de 2016, os calotes estavam em 7,7%.

Segundo a Abecs, a queda da inadimplência é consequência da mudança na regra que limitou a até 30 dias o uso do crédito rotativo. A medida entrou em vigor em abril do ano passado. A redução dos atrasos no pagamento do cartão de crédito era um dos objetivos do setor de cartões e do BC quando definiram a nova regra do rotativo.

Conforme a entidade que representa as empresas de cartões, os consumidores passaram a usar menos o rotativo após a mudança da regras e estão pagando as compras à vista. Os dados do BC mostram que, nos últimos 12 meses, houve uma queda de 20,2% no volume financeiro de operações no rotativo, enquanto o valor das compras à vista e parceladas sem juros cresceu 12% no mesmo período.

Juros do rotativo

Outro aspecto positivo foi a redução na taxa de juros do rotativo, que recuou de 15,5% ao mês em março de 2017 (antes da mudança na regra) para 9,6% ao mês em dezembro. Ainda assim, a taxa é superior ao juro do crédito parcelado (de 8,6% ao mês), que se tornou alternativa ao rotativo.

“Esses movimentos mostram que os objetivos propostos pela mudança foram atingidos e o consumidor tem aproveitado a nova regra para buscar uma alternativa de crédito mais barata e com pagamento em parcelas fixas, o que garante maior controle do orçamento”, afirmou Fernando Chacon, presidente da Abecs.

Juros do cheque especial

A  taxa média cobrada no cheque especial recuou de 328,6% ao ano, em dezembro de 2016, para 323% ao ano no fechamento de 2017 – uma queda de 5,6 pontos percentuais.

A queda nos juros do cheque especial em 2017 ficou abaixo da verificada na taxa Selic, os juros básicos da economia, que somou 7,25 pontos percentuais no ano passado.

Recentemente, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que é importante a queda dos juros do cheque especial, uma das modalidades mais caras do país, e acrescentou que o Banco Central está estudando “várias coisas” sobre esse assunto.

A recomendação de economistas é que os clientes bancários também substituam essa modalidade por linhas mais baratas, como, por exemplo, o crédito consignado, em que as prestações do empréstimo são descontadas da folha de pagamentos.

Juros bancários médios

De acordo com o Banco Central, os juros médios nas operações de crédito com recursos livres (sem contar BNDES, crédito rural e imobiliário) atingiram 55,1% ao ano em dezembro, no caso dos empréstimos para pessoas físicas, uma queda de 17,3 pontos percentuais em relação ao fim de 2016, quando eram de 72,4% ao ano, também na média).

No caso dos empréstimos para as empresas, também com recursos livres, a taxa somou 21,5% ao ano em dezembro do ano passado, com recuo de 6,6 pontos percentuais na comparação com o fechamento de 2016 (28,1% ao ano).

Comentários