Os juros do cartão de crédito sobem para 490% ao ano

Os juros cobrados pelos bancos em suas operações com cheque especial e crédito rotativo voltaram a subir em março, após apresentarem queda em fevereiro, informou nesta quarta-feira (26) o BC (Banco Central).

No caso do cartão de crédito, a taxa passou de 487,8% ao ano em fevereiro para 490,3% ao ano em março. Com isso, atingiu o maior patamar desde janeiro (497,5% ao ano).

Já os juros do cheque especial avançaram de 327% ao ano em fevereiro para 328% ao ano em março, também o maior nível desde janeiro (328,3% ao ano). Especialistas recomendam que essas modalidades de crédito (cartão e cheque especial) só devem ser utilizadas em momentos de emergência e por um prazo curto de tempo.

No caso do cartão de crédito, a recomendação dos economistas é de que os clientes bancários paguem toda a fatura no vencimento para não deixar saldo devedor.

Mudanças no cartão de crédito e competição bancária

O mês de março foi o último antes das mudanças nas regras do cartão de crédito. Pelas novas normas, que começaram a valer em abril, o rotativo só poderá ser usado até o vencimento da fatura seguinte. Se na data do vencimento o cliente não tiver feito o pagamento total do valor da fatura, o restante terá que ser parcelado ou quitado.

A expectativa do governo federal é de que as medidas façam com que os juros do cartão caiam pela metade do patamar atual, ou seja, para cerca de 245% ao ano. Mesmo com essa queda, a taxa de juros cobrada pelos bancos ainda seria muito elevada pelos padrões internacionais.

Juro bancário médio cai em março

Apesar do aumento dos juros do cartão de crédito e do cheque especial, os números do BC mostram que houve, em março, queda dos juros médios cobrados pelos bancos tanto nos empréstimos a pessoas físicas quanto a empresas nas operações com recursos livres (que excluem crédito imobiliário, rural e do BNDES).

Em março, de acordo com a autoridade monetária, a taxa média de juros das operações com recursos livres para as pessoas físicas somou 72,7% ao ano, contra 73,5% ao ano em fevereiro. Trata-se do menor patamar desde dezembro do ano passado (72,4% ao ano). A taxa cobrada das empresas, por sua vez, recuou de 28,7% ao ano em fevereiro para 27,5% ao ano em março.

Inadimplência

Em março, a taxa de inadimplência das pessoas físicas e jurídicas nas operações com recursos livres subiu de 5,6% para 5,7%. Considerando a inadimplência com recursos livres para pessoas físicas, houve estabilidade em 5,9%. No caso das operações com empresas, a taxa de inadimplência avançou de 5,2% em janeiro para 5,6% em março.

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