Para o presidente da Câmara, ausência do apresentador Luciano Huck nas eleições é como uma “avenida aberta sem carros na frente” para novos nomes

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse nesta sexta-feira (16) que o apresentador Luciano Huck “seria um ótimo candidato” ao Palácio do Planalto, mas que, sem ele na disputa, “há uma avenida aberta sem carros na frente” para novos nomes.

Há pelo menos três meses, Maia vem articulando sua possível candidatura à Presidência da República, mas ainda espera decolar nas pesquisas de intenção de voto – no último Datafolha ele aparece com apenas 1% –  para se oficializar na corrida eleitoral deste ano.

“Que há uma avenida aberta sem carros na frente, há, pra todo mundo. Há uma avenida que não tem ninguém trafegando”, disse Maia em conversa com jornalistas. “Luciano seria um ótimo candidato, um quadro com bastante informação, espero que continue mobilizando segmentos da sociedade para participar do processo eleitoral”, completou o presidente da Câmara.

A aliados, Maia avaliou com otimismo a possível saída de Huck da disputa pelo Planalto. Segundo o deputado, o apresentador abocanhava parte de um eleitorado de centro-direita que é o seu foco, caso se viabilize e decida concorrer à sucessão de Michel Temer, e que, por isso, pode se beneficiar do novo cenário.

Huck confirmou na quinta-feira a decisão de que não vai se candidatar à Presidência neste ano. Maia avaliou que chegou ao fim o ciclo do PT e do PSDB e ressaltou que há uma “rejeição alta” ao partido tucano. “Se eu estou certo de que o ciclo acabou, novos atores vão ocupar espaço”, disse Maia.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), é hoje o pré-candidato que tem se articulado como nome de centro e que pode, inclusive, contar com o apoio de parte da base do governo Temer. Maia duela com o tucano nesse campo e já tem conversas com PP, Solidariedade, PR, PRB e PHS sobre apoio a uma eventual candidatura própria.

Líderes partidários

Líderes partidários na Câmara dos Deputados viram com surpresa e ceticismo a desistência do apresentador e empresário Luciano Huck, 46 anos, em disputar a Presidência da República na eleição deste ano. Para os partidos de centro, a saída beneficia as pré-candidaturas do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB).

Novo líder do PRB na Câmara, Celso Russomanno (SP) contou que, mesmo sendo amigo do apresentador, não sabia que ele enterraria de vez a chance de concorrer ao Palácio do Planalto. Russomanno lamentou que a vida de Huck tenha sido “vasculhada” nos últimos dias e disse que é difícil passar o tempo todo tendo de se defender de acusações.

“Não é fácil para a pessoa pública não acostumada a apanhar publicamente manter uma candidatura. Tem de ter estômago”, comentou o líder do PRB. Ele acredita que mesmo fora da campanha, Huck terá um papel relevante como cabo eleitoral. “Ele será um bom cabo eleitoral para quem for candidato. Quem o trouxer terá grande força”, previu. O PRB vem mantendo conversas com Alckmin e Maia e deve decidir só na véspera das convenções quem vai apoiar.

O líder do PR, José Rocha (BA), acredita que sem Luciano Huck no páreo, ganha força uma candidatura de centro. Para o deputado baiano, a tendência é PSDB e DEM se juntarem em algum momento das negociações numa chapa encabeçada por Alckmin, mas com a vaga de vice em aberto.

Rocha avalia que Huck não aguentou os “bombardeios” da imprensa e que isso certamente lhe causaram problemas familiares. Para Rocha, o apresentador também teria dificuldades em se alinhar com o Parlamento se fosse eleito. “O perfil dele no Planalto não seria o mesmo perfil dos eleitos no Congresso”, comentou.

 

 

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