Pela primeira vez, a presidente do PT cita a possibilidade de Lula ser preso

A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, divulgou no domingo (12) um vídeo no Facebook no qual falou pela primeira vez sobre a provável prisão do ex-presidente Lula, condenado pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) a 12 anos e um mês no processo sobre o triplex em Guarujá, no litoral de São Paulo.

A senadora disse que a prisão do petista será o maior atentado à democracia no Brasil, conclamou militantes a fazerem campanha contra e afirma que o PT “vai com Lula até as últimas consequências”. O partido defende que o STF (Supremo Tribunal Federal) coloque em pauta novamente a discussão sobre o cumprimento da pena após julgamento em segunda instância.

“Querem prender o Lula por uma condenação de um tribunal de segunda instância. A Constituição brasileira é clara. Ninguém pode se preso senão por trânsito em julgado de sentença condenatória. E trânsito em julgado é quando o último tribunal dá o seu veredicto sobre o processo. E o último tribunal é o Supremo Tribunal Federal”, argumentou a senadora. “A prisão de Lula é um dos maiores retrocessos à sociedade brasileira, à nossa democracia e às conquistas de direito”, prosseguiu.

“A prisão de Lula vai ser muito perversa ao povo brasileiro. Nós temos que deixar bem claro: a gente não vai assistir mansamente à prisão do nosso líder, aliás, o líder do povo. Nós vamos com Lula até o final. Nós vamos com Lula até as últimas consequências”, concluiu.

Slogan

Com a possibilidade cada vez mais real de o PT ser obrigado a aderir a um plano B na eleição presidencial deste ano, o partido começou a discutir internamente o que fazer com o slogan “Eleição Sem Lula é Fraude”, adotado no ano passado, depois da condenação do ex-presidente pelo juiz Sérgio Moro no caso do apartamento triplex.

A palavra de ordem só faria sentido se a sigla decidisse, na hipótese de a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ser enquadrada na Lei da Ficha Limpa, boicotar a disputa eleitoral ao Palácio do Planalto. Apesar de a ideia continuar tendo adeptos na legenda, ela é encampada hoje apenas por um grupo minoritário. O próprio ex-presidente disse, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo no dia 1º de março, ser contra “boicotar as eleições”.

Uma liderança petista defende que o caminho correto seria amenizar o tom do discurso e deixar de usar o slogan desde já. A preocupação é que o eleitor fique confuso em aderir a um plano B petista com o partido desqualificando o pleito. Os cotados para assumir a cabeça da chapa se Lula tiver a candidatura cassada são o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad e o ex-governador da Bahia Jaques Wagner.

A presidente do PT foi questionada se a legenda orientará seus dirigentes e aliados a deixarem de lado a palavra de ordem, mas não respondeu. Como discussões públicas sobre o plano B petista estão proibidas, os debates sobre o que fazer com a palavra de ordem ainda estão restritos aos bastidores.

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