Pesquisa revela que predominam jovens entre os imigrantes que vivem no Rio Grande do Sul

Estrangeiros são oriundos principalmente de Haiti, Uruguai, Argentina e Venezuela. (Foto: EBC)

Uma população predominantemente jovem, na faixa entre 18 e 39 anos, e com maior proporção de pessoas negras em relação aos dados do perfil geral da população são algumas das principais características dos imigrantes do Rio Grande do Sul.

Oriundos principalmente de países como Haiti, Uruguai, Argentina e Venezuela, estão espalhados por todo o Estado, com maior concentração em grandes cidades como Porto Alegre, Caxias do Sul e Canoas, além de regiões de fronteira, como Chuí e Santana do Livramento.

As informações sobre o perfil dos imigrantes no RS foram divulgadas nesta terça-feira (17) a partir do estudo produzido pelo DEE (Departamento de Economia e Estatística) da SPGG (Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão), em parceria com a SJCDH (Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos).

Sob responsabilidade da analista pesquisadora Daiane Menezes, do DEE/SPGG, o material teve como fonte as estimativas do Cartão Nacional da Saúde de dezembro de 2019, que mostram os dados acumulados de pessoas atendidas pelo SUS (Sistema Único de Saúde) no Estado desde o começo dos anos 2000, e também informações do Cadastro Único do governo federal relativas a agosto de 2020.

“Há diferenças importantes entre as duas bases de dados trabalhadas. Uma aponta para todos os imigrantes residentes em municípios gaúchos que já passaram pelo sistema de saúde – e eles podem ter trocado de município de residência ou até de país, e a troca não ter sido registrada se não houve novo atendimento com atualização do cadastro – e outra para os imigrantes em situação de vulnerabilidade que atualizaram seus cadastros nos últimos dois anos”, explica Daiane.

Saúde

Conforme os dados do SUS, o número de imigrantes no Rio Grande do Sul chega a 50.156 pessoas, espalhadas por 464 dos 497 municípios do Estado. Quanto ao perfil da população, é, em sua maioria, branca (56,4%), preta (34,3%) e parda (7,4%).

Em relação aos dados do último Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para o Estado, são proporções que não acompanham o perfil geral da população, que é predominantemente branca (82,3%), com um percentual menor de pretos (5,57%).

Os dados do Cartão da Saúde mostram ainda uma proporção maior de homens (56%), enquanto no Censo o percentual da população masculina é de 48,67%. No quesito faixa etária, a maior concentração de imigrantes está nas pessoas entre 18 e 39 anos (46%), também maior do que a proporção da população em geral na faixa (31,2%).

Quanto ao país de origem dos imigrantes, Haiti (24,4%), Uruguai (24,1%), Argentina (10%), Senegal (6,5%) e Venezuela (4,4%) lideram o ranking nessa fonte de dados. Porto Alegre (21,33%), Caxias do Sul (5,25%), Chuí (4,70%), Santana do Livramento (3,72%) e Canoas (3,48%) estão nas primeiras posições nos municípios de residência dessa população.

Cadastro Único

Quando a fonte é o Cadastro Único do governo federal, informações como grau de instrução e faixa de renda dos imigrantes são incluídas à base de dados. Aqui, a população de imigrantes cadastrada chega a 18.837, distribuída por 427 municípios. Por essa origem, a população branca ainda é maioria (46,1%), seguida dos pretos (32,1%) e pardos (20,9%).

Diferentemente das informações da Saúde, no Cadastro Único a proporção de mulheres é mais alta (52,8%), dados que podem estar relacionados às características dos programas sociais do governo federal, como o Bolsa Família, que prioriza as mulheres como responsáveis pelo recebimento do benefício financeiro. Entre os imigrantes inscritos no Cadastro Único, 39% são beneficiários do Bolsa Família, percentual proporcionalmente menor do que o da população em geral (44%).

Quanto à faixa etária, o percentual de jovens entre 18 e 34 anos segue como o mais significativo (29,85), seguido das pessoas a partir de 55 anos (17,1%) e entre 35 e 44 anos (15,3%).

Em relação ao país de origem, o Haiti segue na liderança, mas nessa lista é seguido de Venezuela, Uruguai, Argentina e Cuba, com destaque também para os imigrantes que não informaram a sua origem no cadastro, que se fosse considerado como um país se situaria no segundo lugar do ranking. Porto Alegre, Canoas, Caxias do Sul, Bento Gonçalves e Santana do Livramento lideram no quesito municípios de residência dos imigrantes.

Em relação à renda, 47,8% dos imigrantes recebe até R$ 89 per capita ao mês, o que os inclui na faixa da extrema pobreza. Em relação ao grau de instrução dessa população, ela apresenta escolaridade superior ao restante do cadastro, com destaque para o percentual de pessoas com Ensino Médio completo (26,4%) – contra 11,4% – e Superior Incompleto ou mais (9,4%) – contra 2,7% dos demais cadastrados.

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