Pessoas infectadas pelo novo coronavírus não podem ter os órgãos doados para transplante

Tanto o Ministério da Saúde quanto a ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos) informam que pessoas infectadas pelo novo coronavírus, o causador da Covid-19, não devem ter órgãos doados para transplante.

Dados do ministério mostram que houve uma redução de 14% no número de transplantes realizados no País no período de 17 a 31 de março deste ano, quando foram feitos 1.514 procedimentos, em comparação com o mesmo período de 2019. As maiores quedas ocorreram nos transplantes de coração, que diminuíram 87%, e de pulmão, com queda de 86%.

O Ministério da Saúde disse que a redução nas doações e nos transplantes ocorre em todo o mundo, o que torna a manutenção dos programas “extremamente desafiadora”. Afirma ainda que tem sido observado o adiamento de transplantes em pacientes mais estáveis.

Há também o medo do paciente de realizar o transplante neste período, e a cautela das equipes, que avaliam o risco e benefício em cada caso, levando em conta a possibilidade de contaminação durante o período de internação e o fato de o transplantado ser imunossuprimido, sem condições de combater de forma eficaz uma eventual infecção.

Coordenadora da comissão de infecção em transplantes da ABTO, a infectologista Raquel Stucchi afirma que, além da redução do número de acidentes de trânsito no período da quarentena – causa da morte da maioria dos doadores –, os maiores centros de transplante do País estão impactados pelo novo coronavírus.

Em um cenário de pandemia, a recomendação da ABTO é que para que todos os doadores e receptores, mesmo os assintomáticos, sejam considerados de risco. “Uma pessoa com Covid-19 não será doadora de órgão. No caso de quem recebe, em caso positivo da doença, o transplante é postergado por 28 dias”, diz Stucchi.

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