Plano de imunização contra o coronavírus só ficará pronto quando houver vacina registrada na Anvisa, diz Ministério da Saúde

Ministério ressaltou que a vacina que será administrada precisa ser termoestável. (Foto: Rodrigo Nunes/MS)

O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Arnaldo Medeiros, disse nesta terça-feira (1º) que o plano de vacinação contra o coronavírus no Brasil só ficará pronto quando a vacina estiver registrada na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Ele também ressaltou que a vacina que será administrada precisa ser termoestável, ou seja, não precise de baixíssimas temperaturas de armazenamento, como ocorre com os imunizantes da Pfizer e da Moderna.

A Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) já havia alertado que países da América não estão prontos para receber vacinas contra a Covid-19 baseadas em RNA (material genético), que precisam ser armazenadas em temperaturas muito baixas.

“É fundamental pensarmos que esse plano operacional para a vacinação da Covid-19 só definitivamente ficará pronto, fechado, quando tivermos uma vacina, ou mais de uma, que esteja registrada na Anvisa. Para isso, ela precisa mostrar seus dados de segurança e eficácia para a população brasileira”, disse Medeiros.

Temperatura de armazenamento

Sem citar nomes de laboratórios, Medeiros falou também sobre o perfil de vacina desejado. Um dos pontos, segundo o secretário, é que ela seja termoestável. “Desejamos que a vacina seja fundamentalmente termoestável por longos períodos, em temperaturas de 2 a 8 graus, porque a nossa rede de frios é montada e estabelecida com essa temperatura”, explicou.

Tanto a Pfizer quanto a Moderna buscam alternativas para driblar a exigência de baixas temperaturas. No caso da Pfizer, a vacina precisa ficar em temperatura inferior a -70° C durante o transporte. A empresa conta que desenvolveu uma embalagem especial (em formato de caixa) com temperatura controlada que utiliza gelo seco para manter a condição de armazenamento recomendada por até 15 dias.

Já a Moderna conseguiu alcançar uma temperatura de armazenamento a -20° C. A microbiologista e pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas da USP (Universidade de São Paulo) Natalia Pasternak afirmou que a empresa já conseguiu ainda que o imunizante seja mantido por um mês em geladeira tradicional.

“Nós estamos avançando com o plano de imunização para Covid-19 e devemos ter os resultados ainda esta semana sobre os dez eixos”, completou o secretário de Vigilância em Saúde.

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