Polícia Federal intima novamente coronel ligado a Temer a depor sobre propina no setor portuário

A PF (Polícia Federal) intimou novamente o coronel João Baptista Lima Filho, da Polícia Militar de São Paulo, a depor no inquérito que apura suposto favorecimento de empresas no setor de portos com um decreto assinado pelo presidente da República, Michel Temer, em 2017.

A suspeita do MPF (Ministério Público Federal) é de que executivos da Rodrimar pagaram propina para que a empresa, que atua no ramo portuário, fosse beneficiada com a edição do decreto. Temer e a companhia negam. A PF tenta ouvir Lima desde 2017, mas o coronel da PM alega motivos de saúde para não comparecer ao interrogatório. Lima foi intimado no final do ano passado, mas informou à PF que não compareceria porque o estado de saúde dele estava “bastante delicado”.

Na última terça-feira (30), no entanto, o delegado Cleyber Malta Lopes, responsável pelo inquérito que investiga Temer e aliados, pediu que Lima seja intimado novamente, “tendo em vista a importância do depoimento do investigado para esclarecimentos dos fatos apurados na presente investigação”.

Lima é apontado pela PGR (Procuradoria-Geral da República), com base na delação da JBS/Friboi, como um dos intermediários de propina que supostamente seria paga ao presidente no caso do decreto dos portos. As informações foram divulgadas nesta segunda-feira (05) pelo blog da jornalista Andréia Sadi, da Globonews.

Mensagens telefônicas

Em relatório anexado ao inquérito, a PF analisa mensagens telefônicas trocadas entre Lima e uma pessoa chamada Maria Helena. No dia 30 de abril de 2017, o coronel Lima diz: “Amiga, nessas condições ainda tenho esperança de receber as ‘gorjetas’ que você não me deu”.

Segundo a PF, “a conversa chama atenção pelo fato de o coronel aparentemente fazer uma cobrança, utilizando o termo gorjeta”. Os investigadores querem que Lima esclareça em interrogatório do que se trata o diálogo.

A conversa ocorreu no mesmo período em que o ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) foi flagrado recebendo uma mala de dinheiro da JBS/Friboi em uma pizzaria. O encontro do ex-assessor de Temer com a empresa ocorreu em 28 de abril, dois dias antes da conversa citada acima.

Outra conversa relatada pela PF no inquérito é uma troca de mensagens entre Lima e um interlocutor chamado Miguel de Oliveira. No diálogo, também ocorrido no dia 30 de abril de 2017, lê-se: “Recebeu pouco. Nas minhas contas deveria ter recebido R$ 120 mil. Estão ‘garfando’ o coitado”.

Conforme a PF, “a conversa aparentemente remete a um pagamento feito a alguém que teria sido enganado, pois o valor pago deveria ter sido maior”. Os investigadores também querem esclarecimentos sobre a relação do amigo de Temer com os executivos da empresa Rodrimar.

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