“Posso ser um presidente sem partido”, diz Bolsonaro em meio ao racha do PSL


Bolsonaro deu declarações ao deixar a China. (Foto: Isac Nóbrega/PR)

Ao deixar a China, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que pode se tornar “um presidente sem partido” se a crise no PSL não se resolver. “Eu posso ser um presidente sem partido. Tanto faz eu estar com partido ou sem partido”, afirmou neste sábado (26) pela manhã —sexta (25) à noite no Brasil.

A legislação determina que políticos —como deputados, senadores, prefeitos, governadores— podem ficar sem partido depois de eleitos. No caso dos deputados, se houver troca de legenda, eles podem perder o mandato.

A declaração de Bolsonaro vai ao encontro das expectativas do eleitorado mais fiel ao presidente, que é crítico da atuação dos partidos políticos em geral.

O PSL está dividido entre um grupo ligado à família Bolsonaro e uma ala próxima do deputado Luciano Bivar (PE), presidente nacional da sigla.

Bolsonaro admitiu que deseja ter uma expressiva quantidade de candidatos a prefeito nas eleições de 2020, incluindo as principais capitais. Mas disse que para isso precisa ter o controle do PSL.

“Pretendo ter 30 a 40 candidatos [a prefeito] pelo Brasil, mas tenho que ter decisão sobre o partido. Não posso entrar e, quando chegar na convenção, eles me deixarem para trás porque têm maioria”, afirmou.

“Eles [deputados] sabem que quem quer ser candidato a prefeito no ano que vem é melhor tirar uma foto comigo e não com outra pessoa”, completou, referindo-se a Luciano Bivar.

Bolsonaro também criticou reportagem publicada pela revista IstoÉ, segundo a qual seu filho Eduardo teria pago as passagens de lua-de-mel com dinheiro do fundo partidário.

“É uma irresponsabilidade da imprensa brasileira. Como vai pagar com fundo partidário se quem administra [o fundo] é o Bivar?”, afirmou.

Depois de uma visita oficial de dois dias, Bolsonaro deixou Pequim a caminho de Abu Dhabi nos Emirados Árabes Unidos —terceira parada de seu tour.

Antes de viajar, o presidente publicou no Twitter uma matéria do jornal China Daily que diz que o dirigente Xi Jiping teria sinalizado ao Brasil que a tentativa de agregar valor às exportações é bem-vinda.

Na China, a imprensa é censurada pelo governo e publica apenas matérias positivas sobre as iniciativas do Partido Comunista.

Expulsão: ato autoritário

No dia anterior, também na China, Bolsonaro classificou o pedido de expulsão de seu filho Eduardo do PSL como “ato autoritário”.

“Está na cara que é um ato autoritário de quem não está ligado à democracia e à transparência”, disse.

A representação que pediu a expulsão do deputado federal Eduardo Bolsonaro (SP) foi assinada pelo líder do PSL no Senado, Major Olímpio (SP), e pelos deputados da bancada paulista do partido Abou Anni, Coronel Tadeu, Joice Hasselmann e Júnior Bozzella.

Na opinião do presidente, falta “humildade” e “reconhecimento” aos deputados que estão contra seu filho porque se elegeram “numa onda Bolsonaro”.​

O esquema de candidaturas de laranjas do PSL, caso revelado em uma série de publicações desde o início do ano, deu início à atual crise na legenda e tem sido um dos elementos de desgaste entre o grupo de Bivar e o de Bolsonaro.

O escândalo dos laranjas já derrubou o ministro Gustavo Bebianno, provocou o indiciamento e a denúncia do ministro Marcelo Álvaro Antônio (Turismo) e levou a uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal a endereços ligados a Bivar em Pernambuco.

A disputa interna no PSL ultrapassou a esfera partidária, e as duas alas da sigla decidiram partir para uma ofensiva na Justiça. O pano de fundo é a tentativa de controle da legenda e de seu fundo partidário —que no final de 2019 pode chegar a R$ 110 milhões. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

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