Presidente da Câmara dos Deputados avalia propor votação virtual para grupo de risco do coronavírus

Embora o formato ainda não esteja definido, Maia avalia permitir que deputados em grupo de risco da Covid-19 votem de forma remota. (Foto: Maryanna Oliveira/Câmara dos Deputados)

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), admitiu nesta quarta-feira (06) que a eleição para a escolha de seu sucessor, marcada para fevereiro, pode ocorrer de forma virtual, ao menos para parte dos deputados. Embora o formato ainda não esteja definido, Maia avalia permitir que deputados em grupo de risco da Covid-19 votem de forma remota. “Estamos fazendo um levantamento sobre os que têm comorbidades e os mais idosos”, disse. “Mas ainda não tem nada definido.”

Dos 513 deputados, 150 têm mais de 60 anos. A Câmara também tenta levantar quantos parlamentares já tiveram Covid-19 até o momento. Com o aumento de casos da doença em todo o País e hospitais superlotados, a cúpula da Câmara passou a avaliar a votação remota.

Embora ainda não haja decisão sobre o assunto, o deputado Arthur Lira (Progressistas-AL), candidato apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro, criticou a ideia. “Nas eleições, 148 milhões de eleitores tiveram a obrigação de ir às urnas e votar em plena pandemia. Agora, o presidente da Câmara @rodrigomaia e seu candidato @baleiarossi querem votar remotamente na eleição p/ presidência da Câmara. Qual a verdadeira intenção por trás disso?”, questionou.

Adversário de Lira na disputa e apoiado por Maia, o deputado Baleia Rossi (MDB-SP) descartou a possibilidade de fraudes. “Isso é um factoide, síndrome de Trump”, disse ele, em referência às tentativas do presidente norte-americano Donald Trump, derrotado nas eleições do ano passado, de desacreditar o sistema eleitoral dos Estados Unidos, mesmo sem apresentar provas.

Em documento enviado a Maia no dia 22 de dezembro, o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do Progressistas, observou que o regimento da Câmara prevê apenas votações presenciais. “Como garantir que o processo de escolha daquele que ocupará a 3ª posição constitucional na linha sucessória da Presidência da República não seja contaminado por ataques de hackers, que têm quebrado sistemas de segurança de órgãos, entidades e empresas mundiais?”, perguntou.

Se a Câmara optar pela votação remota, porém, esta não será a primeira vez que os parlamentares escolherão nomes da Mesa Diretora neste modelo. Em julho, a Casa elegeu os deputados Expedito Netto (PSD-RO) e Paulão (PT-AL) para os cargos, respectivamente, de 3º secretário e 4º suplente usando o sistema virtual.

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