Presos da Operação Lava-Jato tiveram esfirra, bolo de goiaba e dupla sertaneja em festa de fim de ano

Presos da Operação Lava-Jato assistiram a um show de música sertaneja na festa de fim de ano do CMP (Complexo Médico-Penal), na região metropolitana de Curitiba. Eles também receberam uma esfirra de carne da rede de lanchonete Habib’s, um pedaço de bolo de goiaba e um refrigerante. As informações são da jornalista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo.

No CMP estão detidos o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, o ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras, Aldemir Bendine, e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Netto, entre outros.

A dupla sertaneja Bruno César e Leandro se apresentou em todas as galerias do presídio. Na ala reservada para os condenados da Lava Jato, as portas das celas foram abertas. Os presos pediram músicas como “Travessia do Araguaia”, de Tião Carreiro e Pardinho, e outras modas de viola.

A festa foi organizada pelo Conselho da Comunidade, órgão de execução penal que trabalha com 11 presídios da região metropolitana da capital paranaense. Representantes católicos e evangélicos também fizeram uma roda de oração com os detentos.

E alguns familiares que visitam os presos no CMP têm reclamado da limpeza e manutenção dos banheiros do pátio do presídio. A descarga de um dos toaletes não estaria funcionando e uma das mulheres chegou a comprar uma caixa de descarga nova para fazer a substituição – que não teria sido feita. A direção da unidade informou que os banheiros do pátio de visitas estão em perfeito estado.

Odebrecht

Perícia realizada em dezembro do ano passado nos sistemas de comunicação e de contabilidade informais da Odebrecht mostrou que a empresa pagou pelo menos R$ 8,5 milhões, entre maio e agosto de 2012, a cinco políticos – os senadores Romero Jucá (MDB-RR) e Renan Calheiros (MDB-RR) e os ex-senadores Delcídio do Amaral (sem partido-MS) e Gim Argello (sem partido-DF), além de um quinto nome ainda não identificado.

O político indicado nas planilhas da empreiteira pelo codinome de “Glutão” teria recebido R$ 3 milhões em Brasília em maio de 2012, mas a PF ainda não sabe de quem se trata. O dinheiro teria sido pago pela aprovação do projeto de resolução do Senado 72/2010, que limitou a concessão de benefícios fiscais pelos Estados em portos a produtos importados. O caso ficou conhecido como “Guerra dos Portos” e beneficiou diretamente uma das empresas do grupo Odebrecht, a Braskem.

Em 12 de dezembro, a PF pediu ao relator da Lava-Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Luiz Edson Fachin, mais 60 dias de prazo para a conclusão das investigações. O objetivo dos policiais é cruzar dados da perícia com provas coletadas na Operação Armistício, realizada em 8 de novembro e que recolheu informações de supostos intermediários de Jucá, Renan e Gim Argello.

Fachin pediu para a PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifestar em parecer sobre o pedido da Polícia Federal para prorrogar mais uma vez as investigações. O magistrado aguardará o posicionamento da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, para então decidir se estende o prazo da apuração.

O inquérito foi aberto em abril de 2017 com base nas delações premiadas dos executivos e ex-dirigentes da Odebrecht. O ex-executivo da construtora Cláudio Melo Filho delatou à PGR o repasse de R$ 4 milhões a Jucá, que era líder do governo no Senado, para aprovação do projeto que limitou a concessão de benefícios fiscais a produtos importados.

 

 

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