Procuradoria vai analisar a relação do senador Aécio Neves com a empreiteira Andrade Gutierrez

A Procuradoria-Geral da República analisa se um pagamento de R$ 2 milhões da Andrade Gutierrez ao grupo que controlou o jornal mineiro “Hoje em Dia” entre 2013 e 2016 foi repassado ao senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG). O procedimento tramita sob sigilo desde março, no âmbito da Operação Lava Jato, e a Procuradoria não informou se foi transformado em um inquérito formal.

O jornal era controlado pela Record e foi vendido em 2013 ao Grupo Bel, que tinha como sócio Flávio Jacques Carneiro, apontado pelo empresário Joesley Batista como aliado de Aécio. Em delação premiada, Joesley disse que, para saldar dívidas de campanha de Aécio, comprou um prédio superfaturado do “Hoje em Dia” por R$ 17 milhões.

A representação que chegou à PGR foi feita pelo deputado estadual Rogério Correia (PT-MG). Segundo o pedido, os valores pagos ao jornal “são incompatíveis com os preços de tabela do jornal ‘Hoje em Dia’ em 2013” e os procuradores deveriam apurar se “Aécio Neves se tornou sócio oculto do Grupo Bel no jornal Hoje em Dia”.

Após as eleições de 2016, o diário foi novamente vendido, e hoje pertence ao ex-prefeito de Montes Claros, Ruy Muniz (PSB). A representação do deputado foi feita após publicação de reportagem de 2016, que apontava o repasse da Andrade Gutierrez, com base em laudo da Polícia Federal. Segundo o laudo, isso diferia do padrão da construtora, que costumava doar para entidades empresariais.

Ao falar do imóvel em Belo Horizonte, Joesley disse “não estava atrás” de compra de imóveis em Belo Horizonte. “Ele [Aécio] disse que esses R$ 17 milhões eram para pagar restos de campanha”, afirmou Joesley, que “sem dúvidas” o imóvel era superfaturado.

Em 2016, segundo o delator, Aécio pediu mais R$ 5 milhões. “Eu chamei esse amigo dele, o Flávio [Jacques Carneiro] e pedi para o Flávio pedir pelo amor de Deus para ele [Aécio] parar de me pedir dinheiro, porque eu já estava sendo investigado.”

Procurado, o senador, por meio de sua assessoria, disse que o questionamento parte de um “conhecido adversário”, com objetivo meramente político, “sem credibilidade”. Afirma ainda que todas as doações da Andrade Gutierrez estão registradas na Justiça Eleitoral.

Flávio Jacques Carneiro disse que desconhece “completamente” o caso na Procuradoria-Geral da República. Sobre a venda do imóvel, afirmou que é “o principal interessado em esclarecer tudo” e que toda a operação de venda foi regular, contabilizada e com despesas arcadas pelo próprio jornal.

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