Relator do processo contra a chapa Dilma-Temer diz que só os índios isolados da Amazônia não sabiam da delação da Odebrecht

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) retomou, na manhã desta quarta-feira (07), a análise do pedido de cassação da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer por suposto abuso de poder político e econômico na campanha eleitoral de 2014.

Se os ministros entenderem que tais acusações são procedentes, Temer poderá ter o mandato cassado e Dilma ser impedida de se candidatar a novos cargos políticos por oito anos. Essa tese foi defendida pelo vice-procurador-geral eleitoral, Nicolao Dino, na sessão de terça-feira.

O ministro Herman Benjamin, relator do processo no TSE, disse que incluiu os delatores da Odebrecht no caso porque o acordo de colaboração da empreiteira era “informação pública e notória”. “Só os índios não contactados da Amazônia não sabiam que a Odebrecht havia feito colaboração”, afirmou.

A exclusão das provas oriundas da delação da Odebrecht foi pedida tanto pelos advogados de Temer quanto pela defesa de Dilma. Eles alegam que os depoimentos dos executivos da empreiteira extrapolaram o que era pedido na ação inicial do PSDB.

Benjamin negou que tenha havido uma ampliação da investigação, lembrando que desde o começo, com base nas primeiras descobertas da Operação Lava-Jato em 2014, a ação apontava suposta propina na campanha, o que permitia a colheita de provas que confirmassem essa suspeita.

“Não é por outra razão que este relator determinou a inquirição dos executivos da empresa Odebrecht, que celebraram acordos de colaboração premiada com a Justiça. Consoante já ficou claro em tópico antecedente, lastreado em elementos previamente descritos nas petições iniciais, e também em fatos públicos e notórios concernentes à relação da empresa Odebrecht com as campanhas eleitorais brasileiras, em especial com os partidos componentes da coligação Com a Força do Povo, mas não só com esta coligação na eleição de 2014, o juízo determinou a realização de inquirições em regime de estrito contraditório e ampla defesa”, afirmou o ministro.

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