Rio Grande do Sul perde 88,6 mil empregos formais entre janeiro e agosto

Com resultado, houve queda de 3,53% no estoque total de vagas com carteira assinada no Estado. (Foto: Marcello Casal/EBC)

Castigado pela combinação entre estiagem e pandemia, o Rio Grande do Sul perdeu 88,6 mil empregos formais entre janeiro e agosto de 2020. O número representa queda de 3,53% no total de vagas de trabalho com carteira assinada, indica estudo do DEE (Departamento de Economia e Estatística) divulgado nesta quinta-feira (15). O órgão está vinculado à Secretaria Estadual de Planejamento, Governança e Gestão.

As 88,6 mil vagas perdidas decorrem da diferença entre demissões e contratações no período. Ou seja, o resultado negativo confirma mais cortes do que admissões. A pesquisa compilou dados do Novo Caged, o cadastro de empregos formais do Ministério da Economia.

A quantidade de vagas fechadas durante o ano supera, por exemplo, a população de um município como Lajeado, no Vale do Taquari (85 mil habitantes). No início de janeiro, o Rio Grande do Sul tinha 2,512 milhões de vagas formais em estoque. Com a perda dos 88,6 mil postos, o número baixou para 2,424 milhões em agosto.

No mesmo intervalo, o Brasil teve redução de 849,4 mil empregos formais. Isso significa que o País fechou 2,19% do estoque de vagas – recuo menos intenso do que o gaúcho.

Em termos percentuais, o Rio Grande do Sul amargou a quinta maior perda entre os Estados. As principais reduções de empregos ocorreram em Alagoas (6,77%), Rio de Janeiro (5,78%), Sergipe (5,19%) e Pernambuco (4,02%).

Entre os setores da economia gaúcha, a maior perda relativa foi a do comércio (5,5%), seguido pelo ramo de serviços (3,7%). Ambos os segmentos sofreram com a paralisação de empresas durante a crise do coronavírus. A indústria de transformação (2,3%) e a construção (1,5%) apresentaram reduções mais brandas.

Até agosto, a agropecuária foi a única atividade a registrar variação positiva, de 0,1%. Nesse setor, o emprego formal é menos significativo do que a ocupação não formalizada, pondera o DEE.
De janeiro a agosto, as mulheres representaram 54,8% dos vínculos extintos no Rio Grande do Sul.

Em termos de escolaridade, os mais afetados apresentavam Ensino Médio completo (43,5%). No quesito idade, os empregados formais de 50 a 64 anos responderam por 36,2% dos cortes no período.

O estudo do DEE foi batizado como Boletim de Trabalho. Conforme a pesquisa, das nove regiões funcionais do Estado, oito tiveram perda de empregos entre janeiro e agosto. A exceção foi a área que engloba os vales do Rio Pardo e do Taquari, beneficiada pela sazonalidade da cadeia do fumo.

A região que inclui o Litoral Norte apresentou a redução mais expressiva no trabalho com carteira (10,5%). Nesse caso, também há influência sazonal, já que as contratações locais costumam ganhar força na reta final de cada ano. A zona de Porto Alegre e Região Metropolitana (5%) teve a segunda maior baixa. Essa área responde por quase a metade dos empregos formais do Estado.

Impacto no setor informal

O boletim ainda compara características de trabalhadores com registro e a parcela de informais no Rio Grande do Sul. Nesse recorte, a base de dados usada é a do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

No segundo trimestre de 2020, o número de profissionais por conta própria com registro formal teve aumento de 21,8% em relação a igual período de 2019. Ou seja, houve acréscimo de 97 mil pessoas nessa faixa, que pulou de 444 mil para 541 mil. No sentido contrário, a parcela de informais por conta própria diminuiu 16,1%. Passou de 990 mil para 830 mil – menos 160 mil ocupados.

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