“Se prosperar, eu volto para a praia”, disse o general Hamilton Mourão, sobre pedido de impeachment

“Ok. Sem comentários. Sem comentários. Isso aí é bobagem”, declarou Mourão. (Foto: Marcello Camargo/Agência Brasil)

O vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, declarou que, se o pedido de impeachment contra ele prosperar, “volta para a praia”. De início, Mourão preferiu não comentar o pedido de impeachment protocolado por um dos vice-líderes do governo no Congresso, o deputado federal Marco Feliciano (Podemos-SP), na terça-feira, 16. No entanto, em seguida, de bom humor, o militar disse não estar preocupado.

“Ok. Sem comentários. Sem comentários. Isso aí é bobagem. Se prosperar, eu volto para praia. Eu estou tranquilo”, afirmou Mourão ao chegar ao Planalto após almoçar no Palácio do Jaburu, onde mora com a mulher, Paula. Na avaliação de Marco Feliciano, Mourão está contradizendo Bolsonaro em diversos posicionamentos, como em relação ao aborto e ao pacote anticrime, e conspirando contra o mandatário para tomar o seu lugar como presidente da República.

Marco Feliciano teria tomado a atitude de protocolar o pedido de impeachment após Mourão curtir um tuíte da jornalista Rachel Sheherazade em que ela dizia: “Palestra do general Mourão em Harvard. Finalmente um representante do governo não nos causa vergonha alheia. Muito pelo contrário: o vice mostrou como ele e o presidente são diferentes: um é o vinho, o outro vinagre. Parabéns pela lucidez, general Mourão!”.

Outros casos que também teriam provocado a ação do deputado foram o fato de Mourão supostamente ter curtido uma fala de Sheherazade na rede social de que se “sente muito mais segura de o País ser bem governado quando Bolsonaro sai do Brasil”, além de Mourão ter proferido uma palestra no Brazil Institute, no Wilson Center, em Washington.

Em texto anunciando a palestra, o instituto classificou os cem primeiros dias da atual gestão como uma “paralisia política, em grande parte devido a sucessivas crises geradas pelo círculo íntimo do próprio presidente, senão por ele mesmo”. “Entre o barulho político, o vice-presidente Hamilton Mourão emergiu como a voz da razão e moderação, capaz de prover direção em questões domésticas e de política externa”, completava o texto.

Depois, Mourão repetiu que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de mandar retirar do ar reportagem da Crusoé e de O Antagonista afirmando que o presidente da Corte, Dias Toffoli, teria sido apelidado de “amigo do amigo de meu pai” em um e-mail da Odebrecht entregue por um delator da Operação Lava-Jato, foi “um ato de censura”.

Ele ainda acrescentou que, na decisão do ministro do STF, Alexandre de Moraes, que emitiu ordens de busca e apreensão contra investigados por supostas fake news, “o bom senso não está prevalecendo”.

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