Um deputado recorreu ao Supremo para que o presidente da Câmara seja eleito por voto aberto

O deputado federal eleito Kim Kataguiri (DEM-SP) ingressou nesta terça-feira (8) no STF (Supremo Tribunal Federal) com mandado de segurança para garantir liminar que obrigue a realização da eleição para a presidência da Câmara por meio de voto aberto e não secreto, como ocorre atualmente. No primeiro mandato, Kataguiri é um dos candidatos ao cargo, que tem seu colega de partido, o atual presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), como postulante mais forte.

O Supremo já decidiu que no Senado a sessão será aberta e não secreta. O que significa que a decisão liminar do ministro Marco Aurélio Mello poderá ser estendida para a Câmara. O Senado ainda não decidiu se irá recorrer. Especula-se que a Casa pode simplesmente ignorar a decisão liminar no dia da eleição.

O voto aberto dificulta traições e a escolha de candidatos impopulares frente ao eleitorado. No Senado, Renan Calheiros (MDB-AL) teria mais dificuldades em se eleger.

Idade

Deputados interessados na presidência da Câmara Federal já vislumbram ir à Justiça para barrar eventual candidatura de Kim Kataguiri (DEM) à vaga, que o tornaria o primeiro na linha sucessória do País. O problema que eles vêem: o líder do MBL (Movimento Brasil Livre (MBL) tem 22 anos, quando a Constituição diz que para assumir o Palácio do Planalto é preciso ter 35. A palavra final seria do Supremo Tribunal Federal.

Kataguiri foi eleito para o primeiro mandato de deputado federal com 465.310 votos, o quarto mais votado em São Paulo. A pouca idade, porém, não será a maior dificuldade. Para disputar o comando da Câmara, Kim Kataguiri terá que enfrentar os caciques do seu partido. Ele, inclusive, é alvo de chacota entre políticos experientes no parlamento, que demonstraram irritação com as ambições do estreante. Um deputado do Democratas até soltou a seguinte frase: “Ele [Kim] mal chegou e já quer sentar na janela”.

Lideranças do DEM falaram à reportagem sobre a insatisfação com o “menino”. Temem que Kim Kataguiri acabe gerando problemas à legenda com seu posicionamento mais radical que os demais correlegionários, que se autodeclaram de Centro.

Oficialização

O PR oficializou nesta terça-feira (8) apoio do partido à reeleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) para a presidência da Câmara. “O PR já faz essa parceria de apoio ao Rodrigo Maia desde o segundo turno da eleição passada, e continuamos com o apoio a ele, agora como candidato natural”, afirmou o líder do partido na Casa, José Rocha (BA).

O partido já estava negociando apoio com o atual presidente da Casa. Em troca, manterá a primeira secretaria, espécie de “prefeitura” da Câmara. O cargo deve continuar sendo ocupado pelo deputado Giacobo (PR).

Agora, a sigla deve debelar outra questão: o deputado Capitão Augusto (SP) já afirmou que manterá sua candidatura de maneira independente. Rocha disse que o partido trabalhará para fazer com que ele desista da ideia. Como o voto é secreto, não é possível afirmar que todos os parlamentares votarão unidos com a direção partidária. “O partido vai orientar todos os seus parlamentares a votarem em Rodrigo Maia, e acredito que teremos a maioria expressiva”, diz o deputado.

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