Um quarto dos profissionais da saúde da rede pública do Rio de Janeiro pegaram Covid-19

Uma pesquisa realizada pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) constatou que 25% dos profissionais da saúde da rede pública foram infectados pelo novo coronavírus. O percentual alto está associado a falta de equipamentos de proteção individual.

Mais de mil funcionários das redes municipal e estadual do Rio foram afastados por apresentarem sintomas da doença ou estarem no grupo de risco. “Os meus primeiros sintomas foram tosse seca o primeiro dia eu estava até de plantão, eu dormi, eu estava bem só que uma tosse que incomodava e coçava a garganta bem seca, no dia seguinte eu já acordei me sentindo muito mal com muita dor de cabeça com piora da tosse, nariz entupida e já evolui com febre muita dor no corpo”, disse a médica Camille Vin à reportagem.

O isolamento social é uma das medidas defendida pelo CRM (Conselho Regional de Medicina) do Rio de Janeiro para que o número de casos não continue aumentando.

Rio quer contratar 5 mil profissionais de saúde temporariamente

Cerca de 5 mil profissionais de saúde serão contratados temporariamente pela empresa municipal RioSaúde, do Rio de Janeiro, para combater a pandemia de coronavírus em unidades de saúde localizadas na cidade. Segundo a prefeitura da cidade, os profissionais poderão atuar também nas redes estadual, federal e universitária.

Os contratos terão validade enquanto durar a crise sanitária e poderão servir para repor vagas de profissionais que precisaram se afastar por terem os sintomas da doença ou por fazerem parte de grupos de risco. Os detalhes do processo seletivo podem ser conferidos no site http://prefeitura.rio/rio-saude/processo-seletivo.

Os primeiros profissionais contratados serão encaminhados para o Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, unidade de referência para internações por covid-19 na rede municipal. Além de funcionar como um centro de capacitação profissional no combate à epidemia, a unidade tem capacidade para 381 leitos, dos quais 182 são de UTI adulto e 19 de UTI pediátrica.

Os profissionais de saúde contratados poderão ser encaminhados também para o Hospital Federal de Bonsucesso, para o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho e para o Hospital de Campanha, que está em construção no Pavilhão 3 do Riocentro e já está com 90% da obra concluída.

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcello Crivella, visitou o hospital de campanha sexta (10), acompanhado de secretários e do senador Flávio Bolsonaro. A unidade terá 500 leitos para pacientes com o novo coronavírus, sendo 400 de clínica médica e 100 de UTI, além de um pequeno centro cirúrgico.

Recursos

Crivella anunciou que R$ 87 milhões serão adiantados pelo governo federal para o enfrentamento da epidemia na cidade. Segundo o prefeito, os recursos serão usados para equipar leitos destinados ao tratamento da doença. O governo federal deve enviar também 470 mil cestas básicas para o município do Rio, por meio da Defesa Civil nacional.

Entre as preocupações manifestadas pela prefeito está a baixa utilização dos quartos reservados em hotéis para idosos com dificuldade de cumprir o isolamento social.

Segundo a prefeitura, apenas 40 das 1 mil vagas oferecidas foram preenchidas, e as autoridades agora estudam uma forma de estimular idosos a buscarem esses quartos, especialmente na Rocinha e em Copacabana.

Enquanto a comunidade da Rocinha preocupa pelo elevado índice de pessoas com tuberculose, o bairro litorâneo é o que tem o maior percentual de idosos da cidade, população que corre maior risco de desenvolver quadros graves da doença. O município não descarta pedir à Justiça o isolamento compulsório de idosos dessas duas localidades.

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