Vendas do comércio brasileiro recuam 2,5% em março, o pior resultado para o mês desde 2003

As vendas do varejo brasileiro recuaram 2,5% em março em relação a fevereiro (série com ajuste sazonal), segundo dados divulgados nesta quarta-feira (13) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Trata-se do pior resultado para março desde 2003, quando o setor caiu 2,7%, e da menor taxa mensal desde janeiro de 2016 (-2,6%).

Na série sem ajuste sazonal, o comércio varejista recuou 1,2% em relação a março de 2019, contra aumento de 4,7% em fevereiro. Foi a primeira queda após 11 meses consecutivos de variações positivas nessa comparação. O varejo acumula alta de 1,6% no ano e de 2,1% nos últimos 12 meses.

Já no varejo ampliado, que inclui as atividades de veículos, motos, partes e peças e de material de construção, o volume de vendas recuou 13,7% em relação a fevereiro – queda mais intensa desde o início da série, iniciada em fevereiro de 2003.

Em relação a março de 2019, o comércio varejista ampliado recuou 6,3%, primeira queda após 11 meses consecutivos de variações positivas, com estabilidade (0%) no acumulado no ano. O acumulado nos últimos 12 meses é de 3,3%.
Os resultados para março foram marcados pelo início do isolamento social devido à pandemia de Covid-19. As vendas recuaram em 26 das 27 unidades da Federação, entre elas o Rio Grande do Sul.

O isolamento social teve impactos distintos. Seis das oito atividades pesquisadas registraram queda no volume de vendas do comércio varejista em março, sobretudo aquelas que tiveram suas lojas físicas fechadas em algumas cidades do País, a partir da segunda quinzena do mês. Apresentaram resultados negativos: tecidos, vestuário e calçados (-42,2%), livros, jornais, revistas e papelaria (-36,1%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (-27,4%), móveis e eletrodomésticos (-25,9%), equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-14,2%), combustíveis e lubrificantes (-12,5%).

Em contrapartida, hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (14,6%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (1,3%), atividades consideradas essenciais durante o período de quarentena, apresentaram avanço nas vendas frente a fevereiro de 2020.

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