Vice-presidente afirma que ministro de Relações Exteriores pode ser demitido

O vice-presidente Hamilton Mourão disse que o ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, poderá ser substituído após as eleições da presidência da Câmara e do Senado, que acontecem em 1º de fevereiro. O ministro é alinhado ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, derrotado por Joe Biden, e também é visto como responsável por atritos com a China, que podem ter repercutido no envio de vacinas e insumos para a fabricação de imunizantes para o Brasil.

Mourão lembrou que a decisão é do presidente Jair Bolsonaro e que não discutiu esse assunto diretamente com ele. “No caso específico das Relações Exteriores, é algo que fica na alçada do presidente”, disse o vice-presidente.

Sustentabilidade

O vice-presidente defendeu nesta quarta-feira (27) que o desenvolvimento sustentável da Amazônia só será possível com a participação do setor privado. Ele participou, de forma virtual, no Fórum Econômico Mundial. Mourão falou no painel Financiando a Transição da Amazônia para uma Bioeconomia Sustentável.

“O futuro sustentável da Amazônia depende da expansão da bioeconomia e isso só vai se tornar realidade com a participação do setor privado”, disse Mourão.

Segundo o vice-presidente, em um cenário pós-pandemia, os governos da região não terão condições superavitárias para realizar os investimentos necessários para o desenvolvimento da Amazônia, como as ações tecnológicas.

Mourão reconheceu, entretanto, que há problemas de infraestrutura que dificultam a chegada de investimentos à região.

O vice-presidente disse que o ano de 2020 foi o mais “desafiador” no combate às queimadas no País em razão da pandemia.

“Apesar da escassez de recursos devido à pandemia, o Brasil trabalhou sem parar para tentar lutar contra os incêndios ilegais e desmatamentos. Foi uma causa difícil, mas não impossível de ganhar”, afirmou.

Mourão disse que as ações do governo também resultaram, em 2020, em uma redução de 17% no desmatamento na Amazônia. Ele disse ainda que, apesar da pressão internacional em relação ao aumento das queimadas, a mesma afirmação não pode ser feita sobre os investimentos.

“Mesmo que o interesse sobre o estatuto internacional da Amazônia tenha aumentado, não se pode dizer o mesmo da cooperação técnica e financeira, que está aquém do necessário”, disse.

Segundo o vice-presidente, o Brasil voltou a negociar com governos os recursos para o Fundo Amazônico, estabelecido em 2008.

Mourão disse ainda que o governo está comprometido com a agenda ambiental e citou as metas climáticas apresentadas pelo país no Acordo de Paris, prometendo zerar, até 2060, a emissão de gases do efeito estufa.

“A nossa tarefa é enorme, mas estamos fazendo os nossos melhores esforços para encontrar meios para implementar políticas e projetos para que a Amazônia possa alcançar seu pleno potencial, para os benefícios da população mundial e brasileira, enquanto preserva seus recursos naturais”, disse.

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