“Vou ter chances de vencer quando mostrar minha trajetória”, disse o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles sobre disputa presidencial

Henrique Meirelles vai tentar convencer o MDB que tem chances na disputa presidencial mesmo em baixa nas pesquisas pré-campanha. Ele diz que levantamentos qualitativos atestam sua viabilidade e apresenta o currículo avesso a aventuras como prova de que não daria um salto no escuro.

O ex-titular da Fazenda diz que seu potencial de crescimento ficará explícito com o início da propaganda eleitoral. “Comecei a olhar esses dados antes de sair do ministério. Eles deixam claro que terei chance de ganhar a eleição a partir do momento em que mostrar a minha história”, afirma. Apesar do esforço de Meirelles, nem a sigla de Michel Temer nem os partidos da base aliada compartilham, hoje, dessa avaliação.

Vídeos

Meirelles montou um plano para ampliar sua exposição pública. Em um movimento para tentar capturar eleitores órfãos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele pretende exibir nas redes sociais vídeos em que aparece ao lado do líder petista.

As imagens de arquivo remetem ao período em que Meirelles foi presidente do BC (Banco Central), na gestão de Lula (2003-2010). Os trechos escolhidos mostram o então chefe do Executivo federal discursando e fazendo rasgados elogios ao peemedebista.

No dia 13 de agosto de 2009, por exemplo, durante um evento oficial em Anápolis (GO), Lula creditou a Meirelles o sucesso de seu governo. “Muitas vezes vocês já ouviram pessoas falando mal do Meirelles porque o juro estava alto. Eu quero dizer ao povo de Anápolis que eu sou agradecido e devo a esse companheiro e à equipe econômica do governo a estabilidade econômica e o respeito que o Brasil tem hoje no mundo”, discursou o presidente na ocasião.

A ideia de Meirelles ao propagandear sua boa relação com Lula é tentar neutralizar ataques do PT e conquistar os votos dos eleitores do ex-presidente que ficaram sem candidato desde que ele passou a cumprir pena em Curitiba. Para um dos aliados do ex-ministro, ao mesclar os papeis de presidente do BC de Lula e de ministro da Fazenda de Temer, Meirelles poderá mostrar que “não tem lado”.

“Os vídeos com Lula anulam a crítica da esquerda, porque Meirelles vai mostrar que foi fiador e resolveu o drama da crise econômica em 2003”, ponderou um dos interlocutores do ex-ministro. “E agora, com Temer, resolveu de novo em outro governo, da mesma forma, uma crise ainda pior. Ou seja, ele não tem grupo politico. Ele resolveu problemas no governo Lula e Temer.”

Além de acenar ao público de esquerda, Meirelles vai intensificar o contato com eleitores das classes mais populares que rejeitariam os projetos encabeçados por políticos tradicionais, como o pré-candidato do PSDB, Geraldo Alckmin. Nas conversas com aliados, Meirelles tem dito que as pesquisas eleitorais demonstram o esgotamento dos nomes tradicionais e que esse comportamento dos brasileiros favoreceria seu perfil de estreante em disputas presidenciais.

Para modular esse discurso, Meirelles contratou há alguns meses o instituto Locomotiva, especializado em mapear o comportamento dos setores populares. A partir de pesquisas qualitativas realizadas com grupos de eleitores das classes B, C e D, a equipe da pré-campanha traçou um roteiro.

Nos vídeos que estão sendo gravados, o ex-ministro, no papel de candidato, procurará reforçar valores como honestidade, competência, seriedade e experiência. As quatro palavras resumiriam, segundo a pesquisa, o perfil para vencer em outubro. A estratégia será testada na prática nos próximos dias, quando Meirelles participará de uma série de eventos públicos organizados por igrejas evangélicas.

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