Domingo, 18 de Janeiro de 2026

Home Colunistas 2026: o centenário de José Lutzenberger e a urgência de reacender seu legado

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Em 2026, o Brasil celebra o centenário de nascimento de José Lutzenberger, um dos maiores visionários ambientais que o país já conheceu. A data não é apenas simbólica: há pedidos formais para que o governo federal reconheça o centenário por decreto presidencial, o governo estadual do Rio Grande do Sul já recebeu ofício da Fundação Gaia solicitando o reconhecimento, e a prefeitura de Porto Alegre — cidade natal de Lutzenberger — assumiu o compromisso de marcar oficialmente a ocasião. Trata-se de um movimento que transcende a burocracia: é um chamado para que o poder público e a sociedade revisitem a obra e o pensamento de um homem que, décadas atrás, já alertava sobre a necessidade de vivermos em sintonia com a natureza.

Quem foi José Lutzenberger

Engenheiro agrônomo, escritor e ativista, Lutzenberger foi pioneiro no ambientalismo brasileiro. Fundador da Fundação Gaia em 1986, tornou-se referência internacional ao denunciar os impactos da agricultura química, da poluição industrial e da destruição dos ecossistemas. Foi ministro do Meio Ambiente nos anos 1990 e, muito antes disso, já se destacava como voz incômoda e necessária contra o modelo predatório de desenvolvimento. Para ele, “a natureza não é um obstáculo ao progresso, mas a própria condição de sua existência”. Essa frase sintetiza sua visão: não há futuro possível sem equilíbrio ecológico.

Por que reconhecer oficialmente o centenário

O reconhecimento pelos poderes executivos não é apenas uma homenagem protocolar. É um gesto político e cultural que reafirma a importância de Lutzenberger para o Brasil e para o mundo. Ao inscrever seu centenário no calendário oficial, abre-se espaço para que escolas, universidades, meios de comunicação e instituições culturais promovam debates, mostras, documentários e palestras. Mais do que lembrar o passado, trata-se de reacender ideais que podem inspirar políticas públicas e práticas sociais em um momento em que a crise climática exige respostas urgentes.

O ideal vivo de Lutz

Carinhosamente chamado de “Lutz”, ele foi um profeta da sustentabilidade. Antecipou discussões que hoje dominam a agenda global: mudanças climáticas, perda da biodiversidade, esgotamento dos recursos naturais. Lutzenberger defendia que o ser humano deveria abandonar a postura de dominador e assumir a de parceiro da natureza. Em 2026, seu centenário nos obriga a refletir: estamos ouvindo o alerta que ele nos deixou? Ou seguimos ignorando a sabedoria de quem enxergava além de seu tempo?

Fundação Gaia: um santuário de esperança

O legado de Lutzenberger materializa-se na Fundação Gaia, criada em 1986 e hoje presidida por sua filha, Lara Lutzenberger. Em Pântano Grande, no início do bioma pampa gaúcho, ergue-se o santuário ecológico que ele próprio construiu. Ali, uma área antes degradada foi recuperada com paciência e amor, transformando-se em espaço de visitação, aprendizado e contemplação. Cada flor, cada árvore e cada animal que ali vivem em harmonia com o homem carregam o espírito de Lutz. Há uma certa magia nesse lugar: não é apenas um refúgio ecológico, mas um convite para desacelerar, respirar e compreender que o bem-estar humano depende da saúde da Terra.

Visitar o espaço é mais do que lazer; é uma experiência de reconexão. Escolas podem levar seus alunos para aprender na prática o que significa biodiversidade. Famílias podem encontrar ali um local de descanso e reflexão. Pesquisadores e ambientalistas podem se inspirar para novas parcerias e projetos. O centenário de Lutzenberger é também uma oportunidade para ampliar a divulgação desse espaço único, que guarda em si a essência de sua filosofia.

Um chamado à sociedade e ao poder público

Reconhecer 2026 como o ano do centenário de José Lutzenberger é reconhecer que precisamos, urgentemente, de sua visão para enfrentar os desafios atuais. É dar visibilidade a um pensamento que não envelheceu, mas se tornou ainda mais necessário. É permitir que sua memória inspire ações concretas: políticas ambientais mais rigorosas, programas educativos que formem cidadãos conscientes, iniciativas culturais que celebrem a beleza e a fragilidade da vida.

A sociedade precisa parar e refletir sobre o que Lutz queria nos avisar. Ele não falava apenas de árvores ou rios, mas da sobrevivência da própria humanidade. Seu centenário não deve ser apenas uma data de celebração, mas um marco de transformação. Que os poderes executivos — federal, estadual e municipal — assumam a responsabilidade de dar a este ano o peso que merece. Que a mídia abra espaço para sua filosofia. Que cada cidadão se permita ouvir, finalmente, o chamado de um homem que lutou por um planeta melhor.

Em 2026, celebrar José Lutzenberger é mais do que olhar para trás. É, sobretudo, olhar para frente e reconhecer que o futuro só será possível se aprendermos a viver em harmonia com a Terra. O centenário de Lutz é um convite: que possamos honrar sua memória não apenas com palavras, mas com ações.

Renato Zimmermann é desenvolvedor de negócios sustentáveis e ativista da transição energética

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