Sexta-feira, 12 de Julho de 2024

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A entrada de capital externo na Bolsa de Valores do Brasil deve continuar neste ano, refletindo as expectativas de início da redução dos juros nos Estados Unidos e de continuidade do avanço da pauta econômica do governo. A percepção de que nesse ambiente as empresas podem reportar balanços melhores, com margens menos comprimidas, contribui para o movimento. Além disso, há a previsão de novos IPOs (oferta inicial de ações, na sigla em inglês) na B3, o que deve atrair novos investidores.

No ano passado, a entrada de capital externo alcançou R$ 44,853 bilhões, segundo maior valor registrado desde o início da série histórica de 2004. Em 2022, o montante foi de R$ 100,824 bilhões. Para este ano, a cifra deve ser positiva novamente, segundo analistas. “Nossa tese principal é de que haverá fluxo de recursos estrangeiros para a Bolsa em 2024”, afirma Wesley Bernabé, do BB Investimentos (BB-BI).

A entrada de capital externo na B3 ganhou força em novembro, com a leitura dos mercados de fim do ciclo de alta de juros nos Estados Unidos. Em dezembro, após a manutenção das taxas na faixa entre 5,25% e 5,50%, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, disse que houve discussões preliminares sobre a possibilidade de redução de juros.

O economista-chefe do BV, Roberto Padovani, diz acreditar que o cenário internacional ajudará a compensar efeitos de eventuais novos ruídos internos no mercado. Segundo Padovani, um quadro de corte rápido dos juros nos EUA, que por sua vez tende a instigar outros bancos centrais a reduzirem suas taxas também, é fundamental para estimular ativos de países emergentes, como o Brasil.

Cautela

Focado no ritmo das economias de EUA e China, tema de 2023, Jansen Costa, sócio-fundador da Fatorial Investimentos, se diz “cautelosamente otimista” em relação à entrada de capital externo na B3. Por exemplo, as ações das empresas exportadoras poderiam sofrer em caso de esfriamento forte da atividade no exterior. Há sinais de arrefecimento da economia chinesa, mas o profissional descarta uma desaceleração abrupta.

No cenário interno, o mercado avaliou como positiva a aprovação da reforma tributária. No fim de dezembro, a agência de classificação de risco S&P elevou o rating de escala de longo prazo do Brasil de BB- para BB, e manteve a perspectiva estável, dizendo que a proposta marca um progresso na questão fiscal nacional. Agora, o País está a dois degraus do grau de investimento.

O estrategista-chefe da Monte Bravo, Alexandre Mathias, avalia que, antes da tributária, a aprovação do arcabouço fiscal pelo Legislativo no final de agosto de 2023 já foi um dos principais fatores positivos do Brasil. “O arcabouço é importante para ter certo equilíbrio das contas públicas”, diz.

Apesar de ruídos políticos recentes, que têm gerado instabilidade na relação entre o Congresso e o governo, Mathias diz acreditar que as rusgas tendem a ser passageiras. Na visão do estrategista, os agentes do mercado e os investidores tendem a focar mais na evolução da economia. “Claro que o principal risco é o fiscal, mas não vejo nada com muito potencial de atrapalhar as perspectivas positivas.”

Para o profissional da Monte Bravo, o fato de a inflação estar sob controle e o sinal de que o Banco Central continuará a cortar a Selic no ritmo de 0,50 ponto porcentual são os fatores que importam.

O que resta

Analistas e gestores de recursos avaliam agora o quanto o índice de referência brasileiro, alavancado desde novembro passado, ainda antes do novo sinal do Fed, por ingresso de recursos estrangeiros, pode subir.

“O BC (Banco Central) brasileiro manteve a perspectiva para o ritmo de cortes da Selic, o que não deixa de ser uma boa notícia, na medida em que é mantido um nível de juros real ainda muito atrativo para o investidor estrangeiro. E a B3 depende desse fluxo, que tem melhorado”, diz o gestor de renda variável da Western Asset, Cesar Mikail.

Para ele, mais do que as idas e vindas em torno das contas públicas brasileiras – e se o governo conseguirá, de fato, atingir a meta de déficit zero para o próximo ano –, a manutenção do apetite por ações na virada de 2023 para 2024 dependerá do fluxo de notícias sobre a economia americana.

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