Sábado, 07 de Fevereiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 6 de fevereiro de 2026
A família Bolsonaro colocou em curso uma ofensiva para que o PL lance candidatos a governador em todos os Estados, o que ameaça alianças e acordos até então adiantados com outros partidos. Encabeçado pelo senador e presidenciável Flávio Bolsonaro, o movimento mexe no tabuleiro das unidades mais populosas da federação – São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro – e pressiona aliados locais. Em paralelo, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro interveio no debate interno da direita que se dá na disputa pelo Senado em Santa Catarina.
A estratégia de ter candidatos “puro-sangue” busca assegurar que os palanques sejam exclusivamente de Flávio, e não compartilhados com um eventual candidato da centro-direita, como os ventilados pelo PSD. Também visa reforçar a associação direta com o número 22, o que impulsiona os votos em legenda na eleição de deputado federal e pode, também, facilitar a vitória de nomes do PL nas disputas pelo Senado, uma dos focos da família Bolsonaro em 2026.
Se for seguida sem exceções, a diretriz imposta pelo filho do ex-presidente Jair Bolsonaro causará novo embaraço ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que é filiado ao Republicanos. Ele já evitou mais de uma vez a pressão para trocar seu partido pelo PL. Tarcísio resiste a ingressar nas fileiras de Valdemar Costa Neto, presidente do partido, com quem sempre teve uma relação distante.
A avaliação do governador paulista é que uma candidatura pelo PL seria vista em São Paulo como mais à direita do que ele pretende se mostrar, e poderia afastar o apoio de partidos do Centrão – e até facilitar a eleição de pelo menos um senador ligado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O emparedamento a Tarcísio, aliás, já começou. O deputado estadual Gil Diniz, conhecido pela alcunha de “Carteiro Reaça”, adotou politicamente o sobrenome Bolsonaro e tem defendido que o PL abandone o governador e lance candidato em São Paulo. Por ora, trata-se de declaração isolada, mas a determinação de Flávio tem potencial para intensificar esse tipo de discurso.
Fator Nikolas
Em Minas, dois nomes podem ser impactados pela nova postura da família Bolsonaro. Vice-governador e escolhido por Romeu Zema (Novo) para a sucessão, Mateus Simões (PSD) espera contar com o apoio do PL. Com a decisão de Flávio, seria abandonado. O outro é o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que lidera pesquisas.
Por lá, Flávio conta com um instrumento de pressão: o deputado federal Nikolas Ferreira, principal figura do bolsonarismo na arena digital. O presidenciável passou a alimentar a possibilidade de lançar o jovem de 29 anos ao governo mineiro, algo que estava fora dos planos do próprio Nikolas – que defende aproximação com Simões.
No Rio, berço do bolsonarismo, o cenário tem mais nuances porque o estado tende a encarar, antes da disputa de outubro, uma eleição indireta a ser realizada na Assembleia Legislativa. Como o Palácio Guanabara está sem vice desde que Thiago Pampolha foi para o Tribunal de Contas do Estado (TCE), haverá dupla vacância quando o governador Cláudio Castro (PL) se desincompatibilizar para ficar apto a disputar o Senado.
A situação piora: dado que o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), foi afastado do cargo pela Justiça, e o interino, Guilherme Dellaroli (PL), não pode entrar na linha sucessória, caberá ao presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto, assumir provisoriamente o governo e convocar a eleição indireta em até 30 dias.
Para essa votação, o que ocorre hoje é um embate dentro do próprio PL. Castro quer emplacar seu secretário de Casa Civil, Nicola Miccione, um “técnico” que não disputaria a reeleição em outubro. Flávio, no entanto, pretende colocar na indireta um candidato que, uma vez eleito, seria o adversário do prefeito Eduardo Paes (PSD) na eleição direta e lhe ofereceria um palanque forte.
Hoje, o favorito é o secretário estadual de Cidades, Douglas Ruas, que é deputado estadual licenciado, filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson, e nome de confiança do presidente estadual do PL, o deputado federal Altineu Côrtes.
Em outros Estados relevantes, como a Bahia, o movimento dos Bolsonaro também tem potencial para tumultuar a conjuntura. O PL local é próximo do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União), que tentará de novo o governo. Principal figura do partido do clã em solo baiano, o ex-ministro João Roma é cotado para disputar o Senado. (Com informações do jornal O Globo)