Domingo, 27 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 26 de setembro de 2026
A greve dos funcionários da Caixa Econômica Federal, iniciada no dia 10, já preocupa o setor imobiliário por atrasos nos contratos de novos financiamentos e também no pagamento de recursos para as obras. Empresas e clientes do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) são os mais afetados.
Profissionais do setor destacam que alguma greve já é esperada todos os anos, mas que a paralisação atual tem sido particularmente pesada. A duração prolongada é um fator, mas a importância do banco dentro do sistema imobiliário é o ponto principal, afirma Cyro Naufel, diretor de relações com investidores da Lopes.
A Caixa concentra praticamente todos os contratos do MCMV, que cresceu nos últimos anos. No primeiro semestre, as vendas do programa equivaleram a metade do total comercializado no país, de acordo com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic). Na cidade de São Paulo, o MCMV respondeu por 69% das unidades vendidas nos últimos 12 meses até julho, aponta o Secovi-SP.
“Independentemente da greve durar mais, o impacto vai ser maior, porque o mercado cresceu muito”, afirma Naufel. “A demanda que a iniciativa privada exige dessa instituição bancária é muito maior”.
Um empresário do ramo, que pediu anonimato, afirma haver “caos” entre pequenas e médias incorporadoras que atuam no MCMV, por atrasos no pagamento por evolução da obra. O banco libera os recursos de acordo com o progresso da construção e, para isso, faz medições mensais, prejudicadas pela greve.
“As empresas de capital aberto têm caixa para aguentar, mas quando você pega as pequenas e médias, a maioria está apertada, com esses juros altos”, diz.
Para além do Minha Casa, Minha Vida
Incorporadoras que não atuam no MCMV também podem ser afetadas, porque a Caixa é o maior banco de outras modalidades do crédito imobiliário. Neste ano, até julho, o banco respondeu por 44% das contratações de crédito imobiliário com recursos da poupança para a compra de imóvel, e por 59% das operações com recursos de poupança para financiar a construção de empreendimentos.
Corretores também são afetados. Naufel explica que o pagamento da taxa de corretagem é realizado, pela incorporadora, após o repasse do financiamento do cliente para a Caixa. Sem essa etapa, o profissional que fez a intermediação da venda não recebe a sua parte.
O Tribunal Superior do Trabalho (TST) vai julgar o pedido de dissídio coletivo proposto pela banco, após a instituição acionar a Justiça na quinta-feira (24).
“A Caixa é o banco que entende de habitação”, afirma Garófalo. “Nos demais bancos, é como se fosse um braço, mas na Caixa o principal produto é a habitação, e não só a habitação social”.
O que diz o banco
Procurada pelo portal Valor, a Caixa enviou um posicionamento após a publicação da reportagem: “A Caixa informa que as contratações do crédito imobiliário seguem disponíveis durante o período de greve, com suporte da jornada digital habitacional e da rede de correspondentes parceiros. A maior parte das etapas da contratação habitacional pode ser realizada de forma digital e remota. Pelo fluxo nato-digital, processo de contratação por meio digital, também disponível na rede parceira, compradores e vendedores podem enviar documentos e assinar formulários e contratos eletronicamente, com certificações digitais reconhecidas. Eventuais situações específicas são avaliadas de acordo com as características e a etapa de cada operação.”
O banco afirma, ainda, que “implementa continuamente ações para assegurar a prestação dos serviços aos trabalhadores e a manutenção do atendimento aos clientes. Dessa forma, foram implantadas medidas contingenciais para minimizar os impactos tanto para os clientes pessoa física como para as construtoras e incorporadoras com empreendimentos contratados com a Caixa”. (Com informações do Valor Econômico).