Segunda-feira, 23 de Março de 2026

Home Ali Klemt A mente esquerdista

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A vida não está fácil para quem discorda do Lula. Do Haddad. Da Erika Hilton.  Do PT, enfim. Sabe por quê? Porque não compreendemos como chegamos a esse ponto. E por que isso? Porque somos diferentes. E eu complemento: “ainda bem”!!! Ufa. Que alívio!

Isso, contudo, não responde à minha questão: como, em pleno 2026, ainda defendem o Lula???

Vamos aprofundar essa reflexão. Você já parou para pensar que talvez o problema não seja apenas o que a esquerda defende… mas como ela pensa?

Existe um livro chamado “A mente esquerdista”, de Lyle H. Rossiter Jr. Pouco falado por aqui (o que, por si só, já diz bastante coisa). Nele, o autor propõe uma análise provocativa: a esquerda não é apenas um posicionamento político. É uma estrutura mental. Uma forma de enxergar o mundo. E aí, meu amigo… aí começa o desconforto.

Afinal, talvez o problema não seja apenas político, mas psicológico. O progressismo moderno funciona como um sistema que estimula a dependência emocional do Estado, deslocando o indivíduo da autonomia para uma relação quase infantil de tutela. Quando o Estado passa a proteger, prover e decidir em excesso, o cidadão deixa de ser agente da própria vida e passa a agir como dependente — e isso não acontece à força, mas com aplauso. Afinal, há recompensa emocional nisso: a sensação de estar do lado “certo”, de ser moralmente superior, de pertencer a um grupo que “luta pelo bem”. O problema é que, quando a política vira identidade emocional, discordar deixa de ser aceitável e passa a ser visto como ameaça.

No Brasil de 2026, essa lógica ganha contornos perigosamente concretos: cresce a expectativa de que o Estado resolva tudo, enquanto diminui a responsabilidade individual; opiniões passam a ser policiadas, e a liberdade, pouco a pouco, relativizada em nome de proteção, segurança ou justiça social. Ao mesmo tempo, reforça-se uma cultura de vitimização que fragiliza o indivíduo e legitima ainda mais intervenção externa. O resultado é um ciclo silencioso: mais dependência gera mais controle, e mais controle passa a ser desejado. Como alerta Rossiter, o risco não está na intenção, quase sempre bem-intencionada, mas no efeito acumulado: uma sociedade que, ao trocar autonomia por conforto, entrega sua liberdade sem perceber. No fim, o problema não é um Estado forte demais, mas, sim, uma sociedade que desaprende a ser forte sem ele.

Agora, vamos lá: como “se cria” alguém de esquerda”? Como, afinal, essas pessoas passaram a acreditar nisso???

Ora, a “mente esquerdista” não surge de um evento isolado, mas de um processo gradual em que predisposições emocionais (como maior sensibilidade à injustiça e empatia social) encontram ambientes que reforçam essas percepções. Ao longo do tempo, escola, cultura e discurso público passam a oferecer não apenas explicações para o mundo, mas também recompensas emocionais: pertencimento, sensação de virtude e identidade moral. Assim, ideias deixam de ser apenas opiniões e passam a estruturar a forma como a pessoa interpreta a realidade, muitas vezes associando desigualdade a injustiça e sucesso a privilégio.

Gente, por trás da agenda progressista contemporânea, existe uma raiz conceitual que raramente é explicada com clareza: a lógica socialista. Em sua essência, o socialismo propõe controle coletivo sobre a propriedade, o investimento e os meios de produção e distribuição. Traduzindo: menos decisão individual, mais coordenação centralizada. Até aqui, estamos no campo econômico. Mas o que quase ninguém percebe é que essa lógica, quando absorvida culturalmente, ultrapassa a economia e passa a moldar o comportamento. E o efeito disso é profundo: a infantilização do indivíduo.

Quanto mais o sistema assume o papel de prover, regular e corrigir, menos o indivíduo desenvolve suas próprias competências. Aos poucos, a autonomia deixa de ser exigida — e, portanto, deixa de ser construída. Não é apenas dependência material. É dependência psicológica. Uma sociedade inteira sendo treinada para esperar, pedir, reivindicar… e não necessariamente construir, decidir ou assumir responsabilidade.

Por que as pessoas aceitam isso? A resposta começa muito antes da política. Começa na infância. É no processo de desenvolvimento que um ser humano deveria adquirir aquilo que a psicologia define como maturidade: habilidades instrumentais, sociais e, principalmente, a capacidade de regular impulsos, emoções e comportamentos. Um adulto competente não precisa de tutela constante. Essa é, afinal, a própria definição de crescer. Tornar-se capaz de conduzir a própria vida sem depender de “serviços parentais”.

Presta atenção agora na reflexão de Rossiter à pergunta “por que as pessoas se deixam ser tão enganadas?”. Segundo o médico e psiquiatra da Universidade de Chicago, “as crianças (…) adquirem facilmente concepções erradas sobre a natureza humana, (…) sobre as realidades do governo e sobre os processos econômicos, sociais e políticos que caracterizam a sociedade moderna.” Beleza. Mas ele continua: “Algumas dessas concepções podem ser atribuídas à ignorância simples. Mas outras surgem de processos mentais neuróticos ou irracionais, e não da falta de conhecimento em si.” Eita!

O autor prossegue explicando que inveja, ciúmes e sentimento de inferioridade, seja pela luta por poder ou por vingança, assim como percepções paranoicas de vitimização, podem levar o indivíduo a “romper drasticamente a habilidade de lidar com os desafios da vida diária”. Mas, mais que isso, podem influenciar suas noções de relacionamento com os outros e, claro, com o governo. Em síntese, é desde a infância que se equipa o ser humano. É lá que começa a construção para que se torne alguém sem a “necessidade ou desejo de que o governo assuma uma tarefa que é capaz de fazer por si mesma”. ESTE É O PONTO CHAVE. Assistencialismo a quem precisa, ok. Mas, jamais, assistencialismo como ferramenta de adestramento da população. Você percebe a sutileza?

Portanto, o que acontece quando esse desenvolvimento não se completa plenamente — ou pior, quando a cultura passa a reforçar a dependência? Cria-se um adulto que transfere para o Estado aquilo que deveria ser responsabilidade individual.

E aqui está o elo com a política.

Porque votos não surgem no vazio. Eles refletem percepções de mundo construídas ao longo da vida. Se o indivíduo enxerga o mundo como um lugar onde sempre há alguém responsável por resolver seus problemas, ele naturalmente votará em quem promete exatamente isso. Não é coincidência (mas eu já nem precisaria apontar isso para você), é coerência psicológica.

Essa lógica é, porém, em essência, antinatural. Por que? Se tudo correr bem no desenvolvimento humano, o indivíduo tende à autonomia, à responsabilidade, à construção da própria trajetória. A maturidade é um movimento de independência, não de dependência crescente. Quando uma estrutura social opera na direção oposta — incentivando a transferência contínua de responsabilidade — ela não está apenas organizando a sociedade. Ela está deformando o desenvolvimento humano!

E os efeitos aparecem, é só questão de tempo: menos resiliência. Menos responsabilidade. Mais fragilidade emocional. Mais necessidade de validação externa. E, claro, mais abertura para controle.

Quanto menos competente um indivíduo se sente para conduzir a própria vida, mais ele aceita — e até deseja — que alguém o faça por ele.

E é assim que o ciclo se fecha: mais dependência gera mais controle. Mais controle gera mais dependência.

Pasito, pasito. Aos pouquinhos, como sempre falo.

Sem ruptura. Sem imposição explícita. Mas com aplauso.

E aí… talvez o ponto mais perigoso de todos seja este: não se trata de más intenções. Pelo contrário. Tudo vem embalado em discursos de cuidado, justiça, proteção, responsabilidade social. Sempre existe um argumento nobre. Sempre existe uma justificativa bonita.

Só que, no fim, o efeito acumulado é outro. Uma sociedade que, ao trocar autonomia por conforto, entrega sua liberdade sem perceber.

Ao final, a pergunta final deixa de ser sobre esquerda ou direita.

Passa a ser sobre você.

Você ainda pensa por conta própria? Ou já começou a ajustar o que pensa… para não ser punido?

Lembre-se: a liberdade não desaparece de uma vez. Ela vai sendo abandonada. E, quando você percebe, já não é mais falta de liberdade. É falta de vontade de usá-la. Você está…conformado. E o conformismo, meu amigo, é o lugar mais perigoso de todos.

Ali Klemt

@ali.klemt

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