Segunda-feira, 05 de Janeiro de 2026

Home Ali Klemt A prova da verdade

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Os gritos de liberdade dos venezuelanos deveriam ecoar para sepultar, de uma vez por todas, a romantização de ideologias que só funcionam no discurso. Sob o regime de Nicolás Maduro, a promessa de igualdade virou miséria coletiva — com uma exceção muito bem preservada: a elite do poder. Todos empobrecem. Menos a oligarquia revolucionária, já ouviu falar? Eu explico: é um pequeno grupo de elite que assume o poder, frequentemente por meio de uma revolução ou golpe de Estado, e, subsequentemente, governa para seus próprios interesses, e não para o bem comum, suprimindo a oposição e concentrando a autoridade. Te lembra alguma coisa por aqui? Pois é, qualquer semelhança pode não ser coincidência…

Veja, durante a gestão de Maduro (que assumiu a presidência em 2013), a Venezuela entrou em colapso econômico, o que se tornou um dos mais severos episódios de crise econômica já registrados sem que ocorresse uma guerra formal. Entre 2014 e 2021, o Produto Interno Bruto (PIB) do país encolheu cerca de 70%, uma depressão econômica sem paralelo nas Américas na ausência de conflito armado. A hiperinflação, enquanto isso, atingiu níveis estratosféricos que transformaram o dinheiro em quase nada: chegaram a alcançar mais de 130.000% ao ano em 2018 e, mesmo depois, permaneceram em patamares altíssimos.Você certamente lembra de cenas de gente queimando dinheiro que já não valia nada.

O resultado dessa tragédia econômica foi devastador: mais de seis milhões de venezuelanos deixaram o país, tornando-se um dos maiores fluxos migratórios contemporâneos no continente, na busca desesperada por comida, trabalho e dignidade. Todo esse quadro se refletiu na vida cotidiana. Cidadãos vivendo com salários que não comprava o básico, famílias enfrentando filas por alimentos e remédios e índices de pobreza e insegurança que explodiram. Usei o tempo verbal no passado, porque esperamos que aquele que “caiu de Maduro” (não resisti ao trocadilho) não volte jamais.

Porque a verdade é que esses líderes populistas defendem os pobres até o limite da porta de casa. Da soleira para dentro, o que se vê são vinhos caríssimos, relógios milionários, carros blindados e uma vida de rei nababo bancada com dinheiro público. É o retrato clássico da hipocrisia ideológica: discurso socialista para fora, luxo capitalista para dentro. O famoso socialista de iPhone, indignado com o mercado enquanto desfruta de tudo o que ele produz.

Enquanto isso, mulheres opositoras seguem presas, silenciadas, perseguidas por regimes que se dizem “do povo”. María Oropeza continua detida na Venezuela. E a pergunta eu faço novamente: onde estão as feministas?

Silêncio.

O mesmo silêncio ensurdecedor, aliás, visto após o ataque de 7 de outubro de 2023, quando mulheres israelenses foram estupradas e assassinadas por terroristas. Nenhuma marcha, nenhum manifesto, nenhuma indignação proporcional à barbárie. Para parte do feminismo militante, a defesa das mulheres parece depender da ideologia do agressor. Se o opressor veste o uniforme “errado”, protestam. Se se diz revolucionário, relativizam.

Nada disso surpreende. Ideologias funcionam muito bem… até a vida começar a acontecer. Enquanto são abstratas, soam bonitas, morais, quase poéticas. O problema surge quando saem do palanque e encontram a realidade. E a realidade é esse lugar inconveniente onde as contas vencem, o esforço importa e as escolhas têm consequências.

É fácil ser contra a meritocracia até o dia em que o incompetente da mesa ao lado é promovido na sua frente. É simples defender discursos feministas genéricos até formar uma família e assumir responsabilidades concretas de mulher e querer, sim, um homem com H maiúsculo para te abraçar à noite. É confortável atacar o capitalismo até o momento em que se conquista autonomia para bancar a própria vida e os próprios luxos. Só grita como socialista até reivindicarem algo que já é seu (ou você já viu político de esquerda abrindo a casa e dividindo os bens?). E é aí que se descobre que liberdade exige responsabilidade, não slogans.

E o comunismo, como pode continuar sendo banalizado? Convém lembrar: o comunismo não é apenas uma teoria mal-sucedida: é uma ideologia comprovadamente malévola, responsável, ao longo da história, pela morte de milhões de pessoas. Não por acidente, mas por método. Ainda assim, segue sendo defendido em universidades, redes sociais e jantares sofisticados — sempre longe da fome, da censura e da repressão que ele produz, que fique claro.

E é exatamente aqui que o Brasil precisa decidir para onde quer ir.

Se continuarmos tratando o empreendedor como suspeito, o mérito como pecado e a prosperidade como algo moralmente condenável, repetiremos, em escala própria, erros que a história já mostrou onde terminam. Nenhuma sociedade prospera demonizando quem produz, investe, arrisca e sustenta o sistema. Nenhuma.

O que precisamos, com urgência, é valorizar o empreendedorismo, o trabalho, a responsabilidade individual e o desenvolvimento do indivíduo — não como discurso vazio, mas como política cultural e institucional. Porque não existe coletivo forte formado por indivíduos fracos, dependentes e infantilizados pelo Estado. Assistencialismo como compra de voto institucionalizada!

Como lembrava Ayn Rand, a menor — e mais negligenciada — minoria que existe é o indivíduo. É ele que pensa, cria, trabalha, empreende e transforma a realidade. Quando o indivíduo é esmagado em nome de abstrações ideológicas, o resultado não é justiça social: é estagnação, autoritarismo e pobreza moral e material. Tipo a Venezuela. Mas essa, pelo menos, já se livrou do problema.

O Brasil precisa escolher se seguirá flertando com slogans que fracassaram em todos os lugares onde foram aplicados ou se terá coragem de apostar naquilo que realmente funciona: liberdade com responsabilidade, mérito, iniciativa privada e indivíduos fortes.

Porque, no fim, ideologias passam.
A realidade fica.
E ela sempre cobra a conta.

Instagram: @ali.klemt

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